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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ikove não é mais cruelty free?

Há alguns meses a página da Ikove no Facebook anunciou a inauguração das lojas físicas em Taiwan e na China. É sabido que a China requer testes em animais para assegurar os cosméticos vendidos por lá. Dessa forma, independente de qualquer empresa de cosméticos estrangeira, seja ela brasileira ou européia, deve ter seus produtos testados em animais antes de comercializar no território chinês.

Tentei contato com a empresa pelo site e pela página do Facebook e não obtive respostas, pelo contrário, tive meu comentário deletado. O mesmo aconteceu com outras pessoas que questionaram a empresa através da página do Facebook.

Gostaria de saber qual a explicação que a empresa tem a respeito dessa questão. Pelos prints abaixo, é possível notar que mais pessoas questionaram e não foram respondidas, além de terem os comentários deletados. Curiosamente, depois de terem questionado sobre os testes em animais, o post foi editado de China para Taiwan:



É de se esperar que uma empresa que passa a financiar testes em animais na China, não vá espalhar isso nas redes sociais: "Ei, gente! Começamos a financiar testes em animais na China!". Aconteceu com a Caudalie, com a Alfaparf, com a Victoria's Secret e mais uma infinidade de empresas interessadas em expandir os negócios, passando por cima dos animais. A forma de sabermos quais empresas testam ou não na China, é questionando-as, ou no caso, rastreando os pontos de venda. Em algumas circunstâncias, a PETA remove essas empresas das listas de empresas "cruelty free", apesar dos atrasos na atualização.

A minha surpresa desagradável foi ver uma empresa brasileira que pode estar vendendo na China. Até então só tinha visto empresas internacionais. 

Deixo claro que nunca tive nada contra a Ikove, já comprei um produto da marca no passado e até indiquei a marca aqui no blog. Porém, a partir de agora, em razão da falta de explicações a respeito da postura da Ikove, boicotarei a empresa e não indicarei mais a Ikove como livre de crueldade. 

Obs: os selos de certificação Ecocert são concedidos à empresas que não testam em animais para produção dos produtos. No entanto, não é feito um controle das empresas que vendem posteriormente na China, conforme explicado pela página da Ecocert aqui. Ou seja, é possível que empresas com certificado orgânico teste em animais na China.


ATUALIZAÇÃO (18/12/14): A empresa emitiu um post dizendo que não abriu loja na China e, sim em Taiwan. Portanto, não financia testes em animais, já que a legislação de Taiwan não exige testes para cosméticos. 

Fico feliz em saber que a Ikove permanece cruelty free e enquanto a empresa mantiver essa política, continuarei recomendando. No entanto, a empresa falhou na comunicação com seus clientes, afinal ela prestou os esclarecimentos necessários apenas porque o post foi feito e divulgado no Facebook.  



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Produtos anti-idade veganos

Como muitas me perguntam sobre produtos anti-rugas veganos, resolvi montar uma listinha com algumas opções nacionais. Em um outro post, farei com importados. 

Eu tenho a impressão de que boa parte dos testes em animais realizados no Brasil para fins cosméticos são feitos em produtos desse tipo (dermocosméticos), já que há uma demanda alta e ainda não se tem muita certeza de ingredientes que funcionam efetivamente para diminuir e amenizar a aparência de rugas. Além disso, eles possuem registro grau 2 na Anvisa, ou seja, são classificados como cosméticos, porém precisam de comprovação científica de seus efeitos e segurança. Eles são produtos intermediários entre medicamentos e cosméticos. Muitos deles podem ser testados em animais, como é o caso da Vichy e La Roche-Posay (do grupo L’Oréal), RóC (da Johnson), Eucerin (da Aché) etc.

Com exceção do anti-aging da Ikove, ainda não testei nenhum destes da lista e infelizmente não sei se são bons para qual tipo de pele e/ou se fazem efeitos significativos. Como os preços desse tipo de produto costumam ser mais altos, recomendo dar uma analisada em várias resenhas.


- Ikove: Serum Facial Anti-Aging Açaí (R$87). Minha mãe tem usado ele, mas segundo palavras dela: "é bom, mas não é maravilhoso". Eu achei muito oleoso para minha pele (e encheu de cravos) e o cheiro não é dos melhores.

- Weleda: Serum firmador de romã (R$136) | Creme firmador de romã para o dia (R$109) | Creme firmador de romã para a noite (R$114,90)Creme Firmador de Romã para a Região dos Olhos (R$109,90)
*Para saber quais produtos da Weleda são veganos clique aqui.

- Cativa Natureza: Serum Facial Maria da Selva com Artemísia, Oliva e Mulateiro (R$43)

- Granado: Loção facial Hidra C (R$80)

- Dermage: Improve C 20 (R$153,80)
* Nem todo produto da Dermage é vegano.

- Alva: Creme 24 horas (R$163,81)

- Multivegetal: Creme Facial Frutas e Ervas (R$38)


Alguém já usou algum desses? Conhece um anti-aging vegano bacana?

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O anti-vegano e as mentiras



Em homenagem ao dia 1º de abril, farei um post dedicado aos reis da mentira: os anti-veganos.

Antes de definir o que são os anti-veganos, é importante notar que existem dois tipos de pessoas que costumam combater o veganismo: o ingênuo e o anti-vegano.

O ingênuo é aquele sujeito que vai levando a vida sem pensar muito nas suas ações, vai fazendo o que todo mundo faz, acha certo o que todo mundo acha certo, acha errado o que todo mundo acha errado, e vai empurrando a vida de acordo com as suas conveniências. Nós crescemos e fazemos parte de uma sociedade obcecada por carne e laticínios, na qual o veganismo ainda não é muito conhecido. Nem todos tem conhecimento do quanto cada refeição contribui para causar danos aos animais e esse texto não é direcionado a essas pessoas. Eventualmente, o ingênuo é levado a pensar sobre direitos dos animais, talvez por ver um programa na TV ou por participar de uma discussão com os amigos, na net, etc. Por ter pensado em veganismo por no máximo 5 minutos na vida, o ingênuo se satisfaz com respostas superficiais e igualmente ingênuas, como "se leões matam, por que eu também não poderia?", "é a cadeia alimentar", "mas e as crianças passando fome? Preocupe-se com elas primeiro!", "Deus fez os animais para nos servir", etc. Percebam que o ingênuo usa sem cerimônia argumentos péssimos como esses apenas por um motivo: é um ingênuo!

Já o anti-vegano (também conhecido por alfacista ou carnista) é aquela pessoa que quando descobre que você é vegano, vegetariano e protetor dos animais, faz de tudo para tentar te mostrar que você é um bobinho ingênuo, sua vida é uma ilusão e todo o seu esforço é em vão, porque para ele as coisas devem continuar do jeito que estão e os veganos são uma pedra no sapato que precisa ser eliminada. Eliminada, humilhada, ridicularizada. O anti-vegano é um reaça de carteirinha, e como todo reaça que se preze, não tem nenhuma vergonha em ser falso, mentiroso, arrogante e cínico.

O anti-vegano não é ingênuo. Ele se informa sobre veganismo, entra em blogs anti-veganos, discute sobre veganismo ativamente, compartilha posts anti-veganos nas redes sociais, posta vídeos anti-veganos no youtube, tenta convencer os amigos e familiares que os veganos não passam de uns iludidos, entram em blogs veganos para trollar etc. O anti-vegano é quase um ativista, só que ao contrário. De ingênuos eles não tem nada.


Caso encontre um vegano bem informado pela frente, o anti-vegano pula de argumento em argumento durante o debate achando que descobriu a roda em cada um deles, passando por questionamentos como cadeia alimentar, proteínas, vida natural, hipocrisia e direitos das alfaces. A cada argumento que você desbanca, ele aparece com mais um "infalível", sem correlação nenhuma com o argumento anterior, e sem a mínima vergonha de ter falado besteira no argumento anterior. O anti-vegano usa a regra do "se colar, colou". Vai soltando argumentos completamente desconectados entre si na tentativa de, quem sabe em algum deles, deixar o vegano sem resposta. Aí ele ri ironicamente, enche o peito com ar de superioridade, e se dá por satisfeito. Dever cumprido. Venceu o vegano.

A quantidade de achismos e argumentos infundados é de dar inveja a mentirosos compulsivos. Eles são capazes de defender absurdos para não darem o braço a torcer. Começam dizendo, por exemplo, que a proteína animal é essencial à saúde humana e os animais precisam morrer para nos servir de alimento. Eles não são nutricionistas e estudiosos no assunto, mas querem te provar que seu veganismo é perigoso a saúde, assim ele pode comer carne até se entupir com a consciência tranquila. Tão logo você prova que a proteína animal não é necessária, de nutricionista ele passa para biólogo e aparece com o argumento da senciência das plantas. Segundo essas pessoas, é claro que as plantas sentem dor e sofrem. Se você come vegetais, causa sofrimento a eles, logo, o coerente é comer animais também, já que o saldo de sofrimento é o mesmo. Além de não existir lógica nessa argumentação, também não existem evidências para o que ele defende. Se nenhum desses argumentos colar, ele imediatamente pula para "sabia que a soja destrói a Amazônia?" ou qualquer outra besteira. O objetivo é vencer o debate. 

Como se não bastasse, o anti-vegano, além de PhD em biologia e nutrição, também acha que tem conhecimento em economia e é dotado de clarividência. Ele é capaz de afirmar que o sistema jamais irá mudar, mas caso o número de veganos aumente, os animais continuarão sofrendo e morrendo da mesma forma. Segundo o gênio, o número de animais abatidos continuará o mesmo proporcionalmente, já que os produtores irão preferir jogar a carne no lixo do que produzir menos. Eternamente. Acreditem , eu ouvi essa nesse domingo.... É de doer! Quando todos os argumentos são devidamente refutados, começa o festival de desculpas esfarrapadas e tentativas desesperadas de ganhar a discussão. Olham pro seu sapato, na tentativa de mostrar que é de couro, dizem que sua maquiagem é testada em animais, perguntam sobre as criancinhas que passam fome, falam que Hitler é vegetariano e mais outras afirmações infundadas.

Quando tudo falha, o anti-vegano diz que ética é arbitrária, que não existe certo e errado, o que existe são escolhas pessoais e vem com esse papinho de relativismo moral na tentativa de se justificar (e de te deixar sem resposta, claro). Aí quando você pergunta se o relativismo moral se aplica também a situações como escravidão, pedofilia, machismo e estupro em geral, o anti-vegano diz, sem um pingo de vegonha na cara "sim, não vejo problema em pedofilia. Eu acho errado, eu não faria, mas há sociedades onde isso é aceito e pra mim tudo bem". O anti-vegano não tem nenhum compromisso com lógica, honestidade intelectual, com a verdade. Ele fala a maior das mentiras se for necessário, defende o absurdo dos absurdos, apenas para não dar o braço a torcer e ganhar do vegano no debate.

Isso me frustra profundamente. Os carnistas são capazes de discutir com a calma de um monge budista contra o veganismo, como se o sofrimento dos animais fosse apenas teórico e inventado por veganos, como se o dano causado pela pecuária ao meio ambiente fosse hipotético. Eles riem e debocham quando veganos se emocionam com o sofrimento dos animais. Quando você tem conhecimento e admite que animais sencientes estão sofrendo a todo instante e que isso poderia acabar já, bastando as pessoas se preocuparem o suficiente, é difícil não discutir com veemência e um senso de urgência. E é revoltante ter esse sentimento ridicularizado porque outras pessoas estão apenas interessadas em ganhar uma discussão e satisfazer seus próprios desejos, custe o que custar.

Eu arriscaria dizer que alguns deles possuem um complexo de culpa. Apesar de saberem que são responsáveis por contribuírem para os impactos causados aos animais, ao meio ambiente e à saúde, não querem ser lembrados disso. Não querem e odeiam quando são, por isso nos odeiam tanto.

Eu poderia estender esse texto aos anti-feministas, anti-homossexuais, racistas, religiosos extremistas e reaças em geral, já que a proposta é a mesma. Eles estão no mesmo patamar de evolução. Essas pessoas falarão qualquer coisa para não admitirem que o correto é abrir mão da posição de conforto e privilégios em que vivem, para tentar mudar o mundo pra melhor.

Mudança é geralmente algo desconfortável para a maioria das pessoas. Sair da condição de explorador e abrir mão de certas coisas é ainda mais desconfortável. Para a maioria das pessoas, questionar crenças com as quais você cresceu e as escolhas que você fez durante toda a sua vida é algo muito grande para assumir. Algumas pessoas precisam de certo tempo e, infelizmente, outras pessoas sofreram tanta lavagem cerebral que elas nunca vão estar prontas para te ouvir.


Respostas curtas e diretas aos diversos questionamentos na aba "FAQ Veganismo".

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resposta às falácias de quem defende testes em animais


Uma leitora me enviou o link de uma blogueira que escreveu um post defendendo o uso de produtos testados em animais. Como o texto estava recheado de clichês e vários argumentos ingênuos que infelizmente convencem muitas pessoas, resolvi fazer um post com a minha réplica.

Confesso que eu já acompanhei esse tipo de blog no passado, mas hoje eu não consigo mais acessar e dar ibope para tanta coisa fútil e ver a alienação dos leitores. É lamentável que blogueiras como elas, com mais de 100 mil fãs, façam posts divulgando casacos de pele, defendendo testes em animais etc. É incrível o poder que elas tem de formar opinião. Seria porque elas falam o que as pessoas gostariam de ouvir? Essas pessoas não só defendem maus tratos contra animais, como o nível da argumentação é baixíssimo, tanto das blogueiras quanto dos que comentam! Parece discussão de sites de notícias como Yahoo!

Torço para que surjam mais blogs sobre veganismo e direitos dos animais!

Eu li um texto muito interessante de um cara que o Fábio Chaves (fundador do site Vista-se) compartilhou no Facebook dizendo: "o que mais tem por aí é gente que acha que os outros são hipócritas porque teve o primeiro contato com um assunto, analisou as coisas com a superficialidade de uma ameba e se achou o Sherlock Holmes da contradição ideológica. O tema de libertação animal é um prato cheio pra encontrar gente desse tipo. As pessoas pensam por 5 minutos sobre libertação animal, se acham o gênio que vai ter uma ideia inédita e fantástica que derrubará toda a lógica defendida há décadas pelos ativistas". Esse pensamento descreve muito bem a situação. As pessoas tratam o veganismo e o direito dos animais como se fosse um assunto recém-criado e seus ideólogos não soubessem o que defendem.

Tendo dito isso, meus comentários sobre o post da blogueira são:

1) A enorme maioria das pessoas que dizem que "tu-do" já foi testado um dia e chama os veganos de hipócritas, acha que defendemos a ideologia de pureza, de que não podemos usar nada que já foi testado um dia. Para elas, se somos 98% veganos, somos hipócritas. Essas pessoas defendem que "se não podemos fazer tudo, o melhor é não fazer nada", ou seja, se não podemos proteger 100% dos animais o tempo todo, o mais correto então é matá-los e explorá-los indiscriminadamente para não sermos hipócritas.

Veganos não defendem que se mude o passado. Defendemos a mudança no presente e no futuro. Se produtos foram testados em animais no passado, paciência. Não há nada a fazer quanto a isso a não ser aprendermos a lição para não repetirmos no presente e no futuro os erros do passado. Lutamos para que a realidade dos animais de laboratório mude a partir de agora. Passado é passado, não dá pra mudar.

De acordo com a lógica defendida por ela, se alguém for contra a escravidão não deveria visitar cidades construídas por escravos (Ouro Preto, Tiradentes etc). Ou pior, seria como supor que devemos ter escravos HOJE porque no PASSADO várias coisas foram construídas através de mão de obra escrava.

Desfrutamos de várias coisas que um dia já foram fruto de crueldade com humanos. Mas isso não nos torna cúmplices das atrocidades passadas. O mesmo se aplica aos testes em animais. Se hoje desfrutamos de cosméticos que possuem ingredientes que passaram por testes em animais no passado, devemos lutar para que HOJE não se faça mais testes. E uma das formas de lutar é o boicote às empresas que ainda fazem testes. Não é se sujeitando a usar produtos dessas empresas, alegando que tu-do já foi testado, que mudaremos a realidade do presente e do futuro. O projeto de lei que tramita na câmara e aguarda a sanção do governador de São Paulo não existiria se a mentalidade da sociedade fosse: "já que tudo foi testado um dia, não tem como mudar a realidade". A sociedade é responsável por manifestar a insatisfação e cobrar atitudes das autoridades. Quando as leis em defesa dos animais são frouxas ou inexistentes, a mudança deve vir da sociedade. É muito cômodo esperar que as empresas e o governo tomem alguma providência, enquanto não se faz nada para mudar a realidade.   


2) Ela defende que não pode restringir o blog a produtos cruelty free, pois dessa forma não conseguiria se sustentar e pagar as contas. É a mesma desculpa usada por carroceiros que exploram cavalos, açougueiros, pecuaristas e até mesmo traficantes de drogas.

Argumentar que explorar animais não é errado quando se faz isso por sobrevivência é um dos piores argumentos que eu já vi, ainda mais quando "sobrevivência" significa viver de blog que divulga cosméticos. 99,9999% das pessoas que exploram animais o fazem para ganhar dinheiro e sobreviver! O dono do circo usa elefantes pra que? Pra ganhar dinheiro!


3) Mas por que essa blogueira defende tão avidamente os testes em animais? Porque veganos são hipócritas? Porque TU-DO é testado? Não. Ela entregou o verdadeiro motivo ao dizer "Outro ponto importante, é que este é o meu trabalho. Meu trabalho é testar produtos de beleza e eu não tenho condições de ficar restringindo meu acervo com marca x,y,z… É muito fácil falar se você não depende disso pra pagar suas contas". Uma blogueira que ganha dinheiro em cima de empresas que fazem testes em animais não pode escrever um texto contra os testes, ora! É o ganha-pão dela. É tão absurdo como esperar que o dono da Friboi fosse a favor do vegetarianismo e fizesse uma propaganda sendo a favor da dieta vegetariana. Como um canal de TV que é patrocinado pela Itambé, Sadia e Friboi poderia fazer propaganda contra a exploração de animais por empresas? Obviamente os patrocinadores ficariam bastante insatisfeitos caso isso ocorresse. O mesmo acontece com essa blogueira. Se ela escrever um texto atacando empresas que fazem testes, ela não vai receber patrocínio da Neutrogena. Ela defende os próprios interesses, ou melhor, ela quer continuar ganhando DINHEIRO, e se pra isso for necessário machucar animais indiretamente, que seja!


4) "Não consigo parar de comer carne, mas respeitem a minha opinião! O mundo nunca vai deixar de explorar animais"

Essa é uma prova de como o nível da argumentação dela é sofrível. É um dos argumentos mais rasteiros para defender a exploração de animais. Até quando vamos ver as pessoas achando que deixar de comer carne pelos animais é questão de opinião? Como escrevi na aba "FAQ veganismo", de um ponto de vista ético, as ações que prejudicam outros não são questões de escolha pessoal. O assassinato, o estupro, o abuso de crianças e a crueldade para com os animais são atitudes imorais. Nossa sociedade incentiva hoje o hábito de comer carne e a crueldade nas unidades de criação de animais, mas a história nos ensina que esta mesma sociedade um dia encorajou a escravidão, o trabalho infantil e muitas outras práticas agora universalmente reconhecidas como imorais.

Comer carne nos dias de hoje não é questão de necessidade. A partir do momento que sabemos que os nutrientes podem ser perfeitamente supridos com uma dieta vegana (com aval do Conselho Regional de Nutrição e vários orgãos internacionais de nutrição), quem come carne hoje, o faz porque sente prazer em saborear.

Fica então a questão: temos o direito de machucar outros seres por prazer? Por que pedofilia não é uma mera questão de escolha pessoal mas matar animais para sentir um gostinho bom ou para ter cílios mais volumosos seria?

O mundo um dia vai ser livre de corrupção, por exemplo? Não sei, mas isso não nos impede de lutarmos contra a corrupção e de nos indignarmos quando mais um escândalo é divulgado. Ninguém usaria um argumento desse para justificar a corrupção, então por que ele seria válido para justificar a exploração de animais?

Dizer que o mundo nunca vai mudar 1 dia depois de SP conseguir a proibição dos testes em animais é dureza, né?

5) "Não adianta pintar um mundinho cor de rosa onde você vai deixar de usar tudo o que testa em animais, pelo simples fato de que TUDO É TESTADO, não entendo o porquê dessa fixação e concentração de energias na indústria cosmética. A tinta do mouse que eu estou usando nesse momento já passou por teste em animal, gente!"

Defender a estagnação da ética só porque a blogueira em questão ganha com isso? Ela acha que o mundo não precisa mudar, principalmente em relação a questões envolvendo a fonte de renda dela ou prazeres fúteis derivados da exploração de animais. É muito fácil nós, brasileiros, sermos contra touradas na Espanha ou matança de golfinhos no Japão, por exemplo, afinal quem aqui come golfinho ou vai à touradas? Aí é fácil ser contra, já que a nossa vida não será afetada caso essas práticas sejam extintas. Mas quando falamos sobre a extinção da pecuária ou dos testes em animais, o povo aqui fica todo agitado e todos começam a inventar mil e uma desculpas para defender porque essas práticas devem ser mantidas, afinal nós aqui nos beneficiamos desse tipo de exploração.


6) "Os testes em animais são benéficos aos seres humanos"

Podem existir benefícios que não seriam obtidos sem a exploração de animais? Sem dúvida. Do mesmo modo que estamos perdendo inúmeros benefícios pelo fato de considerarmos inaceitável toda e qualquer vivissecção humana para começo de conversa. Já pensaram na possibilidade de Hitler ter vencido a Segunda Guerra Mundial? Seria bastante provável que as técnicas cirúrgicas fossem muito mais eficientes do que as que atualmente dispomos. Sem contar que não haveria fila de transplantes de órgãos. Não seria um mundo ideal, pelo menos para quem tivesse a fortuna de ser ariano?

Certamente um humano seria o modelo ideal para a produção de medicamentos e técnicas cirúrgicas, por exemplo. Por que abrimos mão desses resultados? Ética, pura e simples. Não há outro motivo.

E se não é ético testar em humanos, mesmo que os resultados científicos sejam interessantíssimos e várias pessoas se beneficiariam desses resultados, por que se torna ético testar em animais? 

Como testar em humanos não é ético, os cientistas pensaram em um método substitutivo: os animais. Basta portanto que haja interesse da sociedade para que os cientistas criem um método substitutivo. Não estamos propondo a estagnação da ciência. Queremos que os cientistas avancem e criem modelos que não utilizem animais.

Sobre a questão dos testes serem "um mal necessário", falei mais sobre isso nesse link.


Essa imagem resume bem o texto da blogueira:

Gênios!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Dicas para abordar os SACs das empresas e interpretar respostas



Uma das coisas mais complicadas no veganismo é abordar empresas questionando sobre os testes e ingredientes de origem animal. Percebo que ficamos mendigando por uma resposta decente e muitas vezes nos são dadas por funcionários despreparados e não comprometidos com a verdade.

Não sei se os termos "vegano" e "sem ingredientes de origem animal" ainda não são muito conhecidos entre as empresas brasileiras ou se os serviços de atendimento ao consumidor não levam muito a sério as respostas, mas vejo que tanto os consumidores quanto a empresa saem perdendo. Já cansei de receber respostas do tipo: "nossos produtos não são testados em animais nem possuem ingredientes de origem animal". Essa é a resposta default da maioria das empresas, mas nem sempre reflete a verdade.

Analisando superficialmente, parece que são todas empresas super éticas e veganas, até que alguém percebe que algum produto leva lanolina, cera alba ou carmine na composição, por exemplo. (A Phytoervas e a Natura são mestres nisso). Nesse caso, não sei se há alguma lei que proteja o consumidor, uma vez que se trata de desrespeito, descaso e mentira. E depois do que aconteceu no Instituto Royal, vai ser muito difícil uma empresa assumir que realiza testes em animais.

Grandes empresas como a Natura possuem um departamento de marketing muito bom. Mas arrisco a dizer que se a empresa treinar melhor equipe de atendimento ao consumidor para que as respostas sejam menos evasivas, vagas e mais compreensivas, talvez acabe aprimorando sua imagem e o seu relacionamento com seus clientes. Pode ser que essas coisas sejam mais relevantes para a estabilidade da empresa a longo prazo.

Se você tem interesse no produto de uma empresa, mas não conhece a política de testes ou ingredientes, eu recomendo muito que você mande e-mails e investigue se a empresa e/ou o produto é livre de crueldade e de ingredientes animais, mesmo que seja só para confirmar que a lista que você está usando é mesmo verdadeira e a empresa fique sabendo que os consumidores tem esse tipo de preocupação.

De tanto ler, enviar e receber e-mails de SACs, eu tenho algumas dicas e informações para ajudar a enviar seus próprios e-mails, o que esperar e dicas para analisar uma resposta.

Antes de enviar um e-mail, procure no site da empresa a seção de FAQ (ou "Sobre a empresa"), onde eles normalmente podem postar informações sobre suas políticas de testes animais, ingredientes, produtos para veganos etc. Algumas empresas não incluem essa informação, enquanto outras incluem apenas informações parciais. Nesse caso é preciso investigar enviando e-mail.

Escrevendo o e-mail

A parte mais importante do envio de um e-mail é incluir tudo na pergunta que você quer na resposta. Se simplesmente enviar um e-mail perguntando: "A empresa testa em animais?" Poderá receber a uma resposta vaga e imprecisa. Geralmente as empresas pequenas não testam em animais, mas podem contratar laboratórios ou comprar matéria prima de fornecedores que realizam testes. Não adianta nada uma empresa alegar que não testa, enquanto contratar terceiros que o façam.

Algumas empresas que são conhecidas por testar em animais, como é o caso da L'Óreal, tem a cara-de-pau de lançar linhas cujo rótulo alega que o produto não é testado em animais. Do que adianta não testar uma determinada linha, se testa nas demais? São empresas como essa que merecem o nosso dinheiro?

As 6 questões que devem ser incluídas na pergunta são:

• Os produtos acabados da empresa são testados em animais ?
• Os ingredientes de seus produtos são testados em animais ?
• A empresa contrata um fornecedor terceirizado para realizar estes testes?
• A empresa tem uma empresa-mãe? Qual a política da empresa-mãe em relação aos testes em animais?
• A empresa vende seus produtos na China ou qualquer outro país que exija ou reserva-se o direito de testar produtos de origem animal comercializados por lá?
• Os produtos possuem algum ingrediente de origem animal na composição?
(obs.: por ingrediente, entende-se qualquer produto que venha da morte de animais ou que sejam extraídos de animais, como tallowate (sebo), colágeno, keratina, ácidos esteáricos, cera de abelha, cera alba, lanolina, corante carmim, carne vermelha, frango, peixe, leite,ovos etc.)

Caso seja uma empresa internacional:

1. Are the finished products tested on animals?
2. Are the ingredients tested on animals?
3. Does the company hire a third part to perform tests on its behalf?
4. Does the company have a parent company? If so, what is the parent company's animal testing policy?
5. Does the company sell products in China or any other country which requires or reserves the right to animal test products sold there?
6. Do the products have animal ingredients in the composition?
(note: by animal ingredient means any product that comes from the death of animals or are taken from animals such as tallowate, collagen, keratin, beeswax, cera alba, stearic acid, lanolin, carmine, red meat, chicken, fish, milk, eggs etc).

Analisando as respostas

O maior trabalho começa depois de receber a resposta. As respostas que me dão raiva:

"Nós não conduzimos ou pedimos a terceiros para realizar testes em animais de produtos, matérias-primas ou componentes de produtos acabados, exceto quando exigido pela lei local." (Tirada do site da Smashbox e traduzido)

Sempre verifique as palavras "salvo", "exceto" e "a não ser".
A frase acima parece linda até a última cláusula. A Unilever, a Clinique, a Avon e a MAC também dizem isso. Além dessas respostas, algumas empresas falam por linhas e mais linhas sobre o quanto tempo e quanto dinheiro eles investiram para encontrar métodos alternativos. Então por que é que não encontraram até hoje? Se reconhecem que não é legal testar em animais, por que não param de uma vez por todas e usam formulações sabidamente seguras? Por que se sujeitam a vender em países que testam em animais seus produtos? Nós $abemos porque.

Outra resposta clássica:

"A empresa não realiza testes em animais e os ingredientes são, em sua maioria, de origem vegetal."

Isso é muito vago. Em que essa resposta me ajuda? Parece que só querem responder o e-mail, não se preocupando em responder a pergunta. Nesse caso é preciso insistir e questionar quais são os ingredientes de origem animal, além da questão dos testes. Se não responderem adequadamente ou continuarem a responder vagamente, o boicote é o melhor a se fazer.

Nos casos de responderem de forma genérica:

"Não trabalhamos com nenhum ingrediente de origem animal"

Em geral eu não gosto desse tipo de resposta. É muito vago. Será mesmo que os produtos são adequados para veganos? A empresa garante que não usa nenhum insumo animal? Nem mesmo corantes de cochonilha e cera alba? Caso encontre algum ingrediente de origem animal, é preciso comunicar à empresa e alegar o equívoco. Caso reconheça o erro e se disponha a repará-lo, ótimo. Mas não é isso que eu vejo. Nesse caso, o melhor seria boicotar a empresa, ou conversar com outras pessoas para saber se tem alguma informação extra sobre os produtos. Recomendo fóruns como o "SAC Vegano" no Facebook.

Às vezes, se você não faz perguntas específicas eles vão te dar sempre respostas genéricas e muitas vezes incorretas.

Por outro lado, empresas como a E.l.f. respondem de forma muito mais confiável:

"We do NOT test on animals or endorse such practices. Our products do not contain animal derived ingredients. Beeswax has been replaced by synthetic beeswax and lanolin has been replaced by Bis-Diglyceryl Polyacyladinpale-2. We currently support HSUS and are partners with PETA in the Caring Consumer Project. Please see our philosophy page for further explanation on our company"

Tradução: "Nós não testamos em animais ou endossamos tais práticas. Nossos produtos não contêm ingredientes derivados de animais. A cera de abelha foi substituída por cera sintética e a lanolina foi substituído por Bis-Diglyceryl Polyacyladinpale-2. Atualmente apoiamos HSUS e somos parceiros com a PETA no Projeto Caring Consumer. Consulte a nossa filosofia no site para mais explicações sobre a nossa empresa."

Perceba que a empresa se empenha em contemplar o público vegano e o faz com maestria.

Caso a empresa informe no rótulo que o produto é adequado a veganos / sem testes e ingredientes de origem animal, há complicações legais caso essa informação não proceder. Por isso não são todas as empresas que informam na embalagem essa informação. Quase ninguém quer se comprometer. Lembro que há alguns anos, um vegano processou uma empresa que alegava que um de seus produtos era adequado a veganos, mas possuía ingredientes de origem animal (acho que era uma vitamina). O vegano ganhou a ação e levou cerca de R$1000 de indenização.

NORMAS DE ROTULAGEM  REFERÊNCIAS LEGAIS
Art. 4º - Decreto 79.094/77  - Os produtos de que trata este Regulamento não poderão ter nome 
ou designação que induza a erro quanto à sua composição, finalidade, indicação, aplicação, modo de usar e procedência. 

Da Rotulagem e da propaganda
Art. 93 - Decreto 79.094/77 alterado pelo Decreto 83239/79: Não poderão constar da rotulagem ou da publicidade e propaganda (...) designações, nomes geográficos, símbolos, figuras, desenhos ou quaisquer indicações que possibilitem interpretação falsa, erro ou confusão quanto à origem, procedência, natureza, composição ou qualidade, ou que atribuam ao produto finalidades ou características diferentes daquelas que realmente possua.



Há algumas certificadoras que fazem auditorias nas empresas e fiscalizam toda a cadeia de produção de cosméticos a fim de emitir um selo que garante que o produto e os ingredientes não tenham sido testados, ou não possui ingredientes de origem animal, por exemplo.

A Cruelty Free International  é uma certificadora de cosméticos não testados em animais e tem planos de certificar empresas brasileiras (aguardando ansiosamente!). A Leaping Bunny também também atua nesse aspecto. A Certified Vegan e o selo vegano da SVB (recém lançado) certificam que um produto é vegano, seja alimentício ou cosmético. A Surya é a única empresa brasileira que possui o selo da Certified Vegan em seus produtos.

A PEA (ONG brasileira) indica uma lista com as empresas nacionais que assinaram um termo firmando compromisso legal de não comercializarem produtos testados em animais. Apesar de não haver auditorias internas sobre haver ou não testes, essas empresas respondem legalmente sobre esse documento.

domingo, 20 de outubro de 2013

Testes em animais: um mal necessário?


Diante da indignação dos ativistas ao Instituto Royal (laboratório que realiza testes em animais para grandes empresas), um dos comentários mais comuns que leio de quem se opõe aos ativistas é: "teste em animal é um mal necessário". Dizem que é aceitável sacrificar o interesse de alguns em benefício do bem estar geral.

Pra começo de conversa, o que eu venho reparando é que as pessoas pensam que os ativistas de defesa dos animais e veganos em geral são ingênuos, bobinhos, são pouco estudados e não sabem nada de ciência.

Essa mentalidade está bastante evidente nos recentes debates sobre o resgate de cães no Instituto Royal. Abundam nos sites de notícias e nas redes sociais pessoas dispostas a dar aulinhas online de biologia e ciência em geral para justificar o uso de animais em pesquisas. A conversa sempre começa com o sujeito citando o seu currículo como forma de dar credibilidade ao que vai falar "sou mestrando em biologia... sou doutor em medicina... sou doutoranda em sei lá o que..." e dá-lhe "aula" e argumento de autoridade para os pobres ativistas incultos que não sabem nada!

Preparei, então, um texto baseado nos comentário dos diversos "cientistas de facebook".


1) Conhecimento científico merece credibilidade, o cientista nem sempre.

Essa é uma confusão que muitas pessoas fazem. O conhecimento cientifico funciona, melhora a vida das pessoas e a ciência merece a bela reputação que tem. Já os cientistas acabam herdando essa reputação como se fossem as pessoas mais corretas e bondosas do mundo, só porque fazem ciência. Os cientistas são pessoas comuns: sentem raiva, inveja, medo, querem dinheiro, reputação, mentem para garantir o emprego... alguns são pessoas boas, outros não sentem empatia alguma por ninguém, nem por animais...

Imagine um cientista que trabalha com teste em animais há 30 anos. É pesquisador reconhecido, vários artigos publicados, tem vários alunos de mestrado e doutorado, recebe muito $$ dos órgãos de apoio à pesquisa. Vocês acham que um sujeito desse iria abrir mão de tudo o que tem em nome dos animais? É claro que ele jamais iria defender o fim dos testes. Mas ele não pode ir a público dizer que os testes são desnecessários porque o trabalho dele depende disso. Obviamente ele irá dar entrevistas na Globo dizendo como os testes salvam vidas, são importantes para as pessoas e blablablá.

O mesmo ocorre com os "doutorandos de facebook/youtube". O doutorado do cara depende desses testes. Acham que eles iriam jogar tudo pro alto e começar um novo doutorado do zero por causa de ratos e animais "fofuchos" como cães? Entre o doutorado deles e cães, que se danem os cães! Mas eles jamais irão dizer isso no youtube. E dá-lhe explicação científica da necessidade dos testes para os pobres veganos incultos.

Outra coisa: imagine (como exemplo) um cientista que trabalha testando medicamentos em animais há 30 anos. O cara passou a vida nesse tipo de pesquisa e é isso o que ele sabe fazer. Ele sabe testar em animais, mas não faz a mínima ideia sobre como desenvolver programas computacionais que simulam os testes.
Ele não sabe, mas o colega dele da sala ao lado sabe. Quem se tornará o novo cientista top da universidade, reconhecido no meio acadêmico, recebendo fortunas de financiamento de pesquisas? É claro que as pessoas tem medo do novo e vão defender aquilo que elas sabem fazer com unhas e dentes aquilo que sabem fazer. E dá-lhe cientistas defendendo publicamente o uso de animais para "salvar vidas de velhinhos e crianças deficientes"!

Resumo: cientistas não são anjos na terra, mártires dispostos a tudo para salvar vidas humanas. Se fosse assim, não existiriam as doenças negligenciadas (doenças de países pobres que os cientistas não se interessam em estudar porque não haverá retorno financeiro). Cientistas são pessoas comuns, com todas as qualidades e defeitos. E os veganos/ativistas são muito mais inteligentes do que a massa, essa sim ingênua, pensa.

Não sou fã da revista Veja, mas essa entrevista sobre a ineficácia dos testes merece destaque:
“A pesquisa científica com animais é uma falácia”, diz o médico Ray Greek


2) "O Ministério Público não verificou maus tratos aos cães no Instituto Royal". "O Instituto Royal só faz pesquisas aprovadas pela Anvisa e pelo comitê de ética". "Os procedimentos estavam de acordo com as leis brasileiras"

Isso não significa nada. A definição de maus tratos é completamente vaga. Para muitas pessoas, se o animal não está mutilado sem anestesia e gritando de dor, então não há maus tratos. Se ele tem água e comida, pronto. Tem tudo o que ele necessita.

Prender um animal num cubículo pro resto da vida é maus tratos? Pra 99% dos cientistas, pro comitê de ética, pra polícia e pra Anvisa, não.

Eu já vi pesquisa de medicamento pra dor onde os ratos eram torturados e a eficácia do medicamento era medida pelo tanto que os ratos contorciam de dor. O aluno de doutorado ria sem parar durante a apresentação dos resultados, não teve nenhuma vergonha em mostrar ratos sentindo dor ao público, a orientadora não estava nem aí pro ratos e o teste foi aprovado pelo comitê de ética da universidade. Ser aprovado por comitê de ética não significa porcaria nenhuma a não ser pros leigos que obtém conhecimento através da televisão.

Infelizmente tive o desprazer de conhecer um membro do comitê de ética da UFMG. Ele é biólogo, odeia vegetarianos e fala publicamente que não dá a mínima pra animal algum. Me disse sem remorso que aprovará qualquer projeto que envolva animais. Isso é pra provar que cientistas não são esse poço de bondade e ética que a imprensa e eles próprios querem fingir que são. Inteligência é uma coisa, bondade e ética é outra coisa completamente diferente. Não é porque uma pessoa sabe resolver uma equação complicadíssima que ela é uma pessoa boa e justa.

Lei de proteção animal não existe no Brasil, por isso você pode fazer praticamente o que quiser com um animal e ainda assim estará dentro das leis. Pegue um porco, castre-o sem anestesia, arranque os dentes no alicate, queime-o com ferro quente, mantenha-o confinado por toda a vida e depois mate-o com uma facada no quintal da sua casa e faça uma feijoada caseira pra você e seus amigos. Você estará 100% de acordo com a lei brasileira.


3) Testes de cosméticos em animais são proibidos na Europa, mas no Brasil são permitidos. Por quê?



Por que não há interesse social no Brasil em banir os testes. Por isso achei tão importante a invasão do Royal. Como estão dizendo, o objetivo não é meramente liberar alguns cães. O grande objetivo é iniciar o debate sobre a utilização de animais em testes científicos. Debate que NUNCA foi feito até então no Brasil. Ninguém aqui nunca ligou pra isso.

Se a sociedade não cobra e tudo está funcionando muito bem do jeito que está, mudar pra que? Pra que alguém iria investir num processo mais caro se todo mundo aqui já está habituado a testar em animais, que são "matéria prima" barata e abundante?

É importantíssimo que a sociedade se posicione contra esses testes e cobre mudança. Queremos a implantação imediata dos métodos alternativos que já existem e queremos o financiamento de pesquisas que busquem produzir métodos que ainda não existem.

Os órgãos financiadores só vão aceitar investir dinheiro em pesquisas de métodos alternativos se eles forem pressionados. Se ratos, coelhos e cães são baratos e todos os cientistas os usam satisfatoriamente, pra que o CNPq (por exemplo) iria investir milhões em uma pesquisa de métodos substitutivos?

Mas não se enganem: os cientistas que estão acostumados com a situação atual vão lutar bravamente para que nada mude. Mas eles não vão dizer "não atrapalhem o meu doutorado! Eu preciso do diploma!" ou "mas tem 30 anos que eu só trabalho com essa linha de pesquisa! Não saberia mudar completamente de área trabalhando no desenvolvimento de métodos alternativos!". Eles irão apelar para argumentos sentimentalistas como "produzo remédios para crianças doentes! Os testes não podem parar!" e não terão nenhuma vergonha em vir a público dizer cinicamente que eles amam os animais e os tratam muito bem, como o idiota do Royal fez.

Mesmo que o Instituto Royal (e mais todos os laboratórios do Brasil) continuem testando em animais, essa invasão e manifestação repercutiu: toda a imprensa mostrou a realidade que ninguém parecia acreditar. A quantidade de pessoas que se conscientizaram e estão se engajando na causa aumentou muito esses dias. O que os olhos não veem o coração não sente. No momento em que foram mostrados cães, esses seres tão fodas, é impossível não se indignar com instituições que testam neles. Parafraseando as manifestações passadas: não é por 200 Beagles. A invasão foi um marco para mostrar a indignação. Não acho que a repercussão que alcançou seria conseguida fazendo-se batucadas na av. Paulista.


4) "As moléculas já foram testadas no passado, tudo o que usamos hoje um dia já foi testado em animais. Precisamos testar em animais para obter resultados confiáveis."



Assim como não podemos mudar o histórico de escravidão ou os testes dolorosos em judeus pelos nazistas, também não podemos mudar o fato de que muitos ingredientes usados já foram testados em animais. A questão é que a realidade pode ser mudada a partir de agora. Já foram feitos testes em animais exaustivamente. Os testes provocam dor e sofrimento aos animais e não vale a pena para testar a segurança dos cosméticos, especialmente quando milhares de ingredientes seguros já existem e estão disponíveis no mercado. Mesmo se o uso de animais for necessário no sentido de que precisamos usar animais para conseguir dados vitais, não podemos justificar o uso de não-humanos para tal propósito. 

Quando dizemos que os humanos têm o “direito” de não ser usados para esse propósito, isso significa simplesmente que o interesse dos humanos em não ser usados sem seu consentimento em experimentos será protegido, mesmo que as conseqüências de usá-los sejam bastante benéficas para as outras pessoas. O conhecimento científico nunca avançou tão rápido como no período do nazismo, quando se faziam testes em judeus. A pergunta que devemos fazer, então, é: por que nós achamos que é moralmente admissível usar animais em experimentos, mas achamos inadmissível usar humanos?

Por que consideramos os animais sem pestanejar como meros objetos descartáveis à disposição das finalidades humanas e ao mesmo tempo em hipótese alguma permitiríamos o uso meramente instrumental de seres humanos com severas deficiências cognitivas? Afinal, os órgãos destes últimos poderiam ser a única alternativa para salvar a vida de um ser humano produtivo e com plena posse de suas faculdades mentais.

Todos os seres humanos, com a exceção de alguns casos de anencefalia ou de estado vegetativo, têm o direito de ser considerados como fins em si mesmos única e exclusivamente por serem sencientes, e não por serem racionais. Logo, todos os seres sencientes também deveriam ser tratados do mesmo modo.


5) Boicote de empresas funciona?

Além de não testar o produto final em animais, a empresa cruelty free não pode terceirizar testes dos ingredientes

Mesmo que boicotar empresas que testam em animais não funcionasse, eu não gostaria de dar meu dinheiro suado para empresas que fazem testes em animais, enquanto há inúmeras empresas que não fazem testes nem terceirizam testes em seus produtos e ingredientes.

Estamos observando um aumento de empresas preocupadas pela questão e que se denominam "cruelty free" por não produzir e vender produtos testados em animais. Se boicotar empresas que testam em animais não funcionasse, por que existem tantas empresas empenhadas em eliminar os testes e deixar claro que não testam?

Sabemos que a grande maioria das empresas só quer saber de dinheiro e a melhor forma de abalar uma empresa é alterar negativamente seu lucro. Se um número significativo de pessoas começarem a boicotar uma empresa e deixar claro que o boicote se deve aos testes feitos em animais pela empresa, é claro que ela passará a investir em métodos substitutos e os abolir. Por outro lado, a pressão que a sociedade faz no governo pode proibir que sejam feitos testes em cosméticos. A Alemanha, por exemplo, proibiu no país que sejam feitos testes de cosméticos em animais desde 1998, ou seja, qualquer marca de cosmético alemã (Alva, Balea, Alverde, Essence, Catrice, Weleda etc) é livre de crueldade, a não ser que seja comprada por outra empresa que testa, como é o caso da Wella, que foi comprada pela P&G (empresa que faz testes em animais).

E são manifestações como as que ocorreram no Instituto Royal, capazes de mostrar à sociedade e ao governo a insatisfação da situação em que animais são submetidos nessas instituições. Só assim haverá demanda por métodos substitutivos e uma posterior proibição deles no país.

Infelizmente os remédios ainda continuam sendo todos testados em animais e muitas pesquisas continuam sendo feitas, outros seres tão sencientes como nós são torturados em nome da ciência, mesmo que este uso só se justifique para lançar mais um tipo de batom no mercado, testar armamentos ou acrescentar mais um título acadêmico ao currículo de alguém mais "iluminado".

Ainda não é possível boicotar certos remédios por enquanto, mas não me sinto uma hipócrita por isso. Fazemos o que está ao nosso alcance. A nossa luta não é por coerência de atitudes. A nossa luta é para um mundo melhor. Agir 95% a favor dos animais ainda continua sendo uma contribuição por um mundo melhor do que não fazer absolutamente nada.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Saiba quais empresas financiam testes em animais na China


Vejo que ainda há muita confusão e pouca informação a respeito de quais empresas foram parar no mercado chinês - país que ridiculamente obrigada por lei que todos os cosméticos vendidos lá sejam testados em animais. Mesmo que os produtos sejam comercializados no mundo todo sem a necessidade de serem testados em animais, a legislação da China, indo na contramão do avanço tecnológico e ético, impõe que todos os cosméticos que entram no país devam ser testados em animais.

Algumas marcas que antes eram consideradas cruelty free, se renderam ao gigante mercado chinês e passaram, com isso, a financiar testes. Apesar de algumas marcas declararem em seus sites que não realizam testes em animais, acabam tendo que terceirizar testes na China. Como diz a Luisa Mell, os coelhos e camundongos chineses também merecem nosso respeito. 

A melhor forma de protesto é o boicote. As empresas só mudarão de postura quando o fato de testarem em animais começar a interferir significamente no lucro. A PETA faz um excelente trabalho em pressionar as empresas a e disponibilizar no site uma lista com todas as empresas internacionais que testam e não testam. As empresas sabem que o boicote afeta parte do lucro e, a partir disso, pressionam as autoridades chinesas a buscar por alternativas.

Uma outra forma bem simples de saber a maioria das empresas que estão sendo comercializadas na China é através do site da Sephora chinesa. Há algumas empresas multinacionais como a Benefit que não constam na lista da PETA nem como empresa que testa, nem que não testa. No entanto, é possível ver que os produtos da empresa são vendidos na China:


FONTE: http://www.sephora.cn

Além da Sephora chinesa, há outro site que vende marcas que foram testadas em animais antes de serem vendidas, o Skin Store China. Exemplo de marcas: Revlon, Olay, Nivea, RoC, Kiehl etc. As outras empresas famosas que não constam em ambas as listas são: Avon e Mary Kay, que são vendidas apenas por catálogos e sites próprios.


E quanto às empresas que possuem fábricas alocadas na China (o famoso: "Made in China")?

Produtos que são fabricados na China, mas não são vendidos na China, não são obrigados a passar por testes em animais. Uma empresa pode fabricar seus produtos na China e manter seu status de livre da crueldade.

Em geral, apenas produtos que estão sendo vendidos na China são obrigados a serem testados em animais. 


Para finalizar eu sugiro que confirmem através de fontes seguras sobre as marcas. Alguns blogs estão desatualizados (a lista das empresas muda o tempo todo!) e muitos não informam corretamente quais empresas são verdadeiramente cruelty free. 

Além do site da PETA, há o guia do Leaping Bunny. Para empresas nacionais, há uma lista do PEA para produtos livres de testes em animais.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ótima Notícia: União Européia Proíbe Testes de Cosméticos em Animais


Depois de muita pressão a União Européia proíbe a importação e a venda de cosméticos e produtos de higiene testados em animais a partir de 11 de março de 2013.

Essa medida inclui as empresas que comercializam e financiam testes em animais na China. Caso a empresa quiser comercializar na China, onde os testes são obrigatórios, não poderá vender em nenhum país da União Européia. Quem sabe essa proibição sirva de lição à China e ao resto do mundo. Aposto que agora a pressão sobre o governo chinês será muito maior.

Os países da União Européia como a França, Inglaterra e Alemanha são um dos maiores consumidores de cosméticos do mundo. Isso significa que as empresas que testam em animais como L'oreal, Lancôme e companhia terão de rever sua cadeia produtiva e parar como os testes se não quiserem perder vendas.

Vamos torcer para que essa proibição entre em vigor na data planejada

Mais informações:
http://www.anda.jor.br/01/02/2013/uniao-europeia-define-a-proibicao-de-testes-de-cosmeticos-em-animais
http://www.peta.org/b/thepetafiles/archive/2013/02/01/pam-says-don-t-delay-animal-testing-ban.aspx?PageIndex=2#comments