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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Resposta do SAC | Lola Cosmetics




Há algum tempo eu questionei à Lola Cosmetics sobre os testes em animais e quais ingredientes de origem animal a empresa utiliza como matéria prima em seus produtos. Como a resposta estava incompleta, não confiei para postar aqui. [Alguns produtos possuem na composição, por exemplo, queratina de origem animal (hydrolized keratin) e colágeno (collagen) nas máscaras "Morte Súbita", "Chapeuzinho Vermelho", "Dream Cream",  "Black Mamba", outros como o "Magic Prep" contém lanolina (lanolin), outros a proteína da seda (silk aminoacids) e a resposta que me foi enviada não tinha contemplado esses ingredientes. E também não dizia sobre a origem da glicerina. Não sei se esses ingredientes foram mesmo abolidos pela empresa ou se eles tem previsão de "veganizar" os produtos no futuro. Ainda não recebi a resposta para esse meu questionamento e me prontifico a atualizar o post quando receber].

No entanto, como a resposta recebida foi, no mínimo confusa e até dando a entender que "o meu veganismo era uma ilusão", decidi compartilhar o e-mail aqui com as minhas considerações no final.


Resposta do SAC (sac@lolacosmetics.com.br):

"Oi querida, tudo bem?

Sua pergunta é extremamente difícil de responder, não só para nós como para qualquer empresa séria e comprometida, que realmente queira dizer a verdade. Então, vamos por partes.

Sobre testes em animais: empresas que não trabalham com dermocosméticos ou produtos infantis, já não fazem testes em animais há muitos anos. O problema são as matérias primas, não em relação a testes, mas sim no que toca ao sofrimento do animal. Já iremos explicar.

A Lola não faz testes em animais, aboliu praticamente 99% de MPs derivadas de animais ( ainda temos a cera de abelha e mel em um produto) e desde o ano passado certifica sua cadeia a direta de fornecedores para testes em animais. Até aqui tudo bem.

O grande problema que nós da Lola observamos não é a cadeia direta, mas ela como um todo. Qual empresa no mundo consegue essa rastreabilidade???? Quem disser que sim, estará mentindo ou omitindo. A indústria cosmética mundial ainda não tem meios eficazes para poder afirmar que sua cadeia produtiva é 100% vegana ou socialmente e ambientalmente sustentável. Para nós isso é um dilema porque nos entendemos como empresa que gostaria de ser 100% nos 3 quesitos.

Um exemplo: quem nos garante que o óleo de palma usado em nosso setor ( nos anfóteros e sulfatos, por exemplo), lá no inicio de sua plantação ou colheita na Ásia, não fez uso de um burro ou elefante para carregar os cocos? Isso é um sofrimento para este animal.

Nosso confrontamento com estes paradigmas é enorme e maior ainda a duvida de como enfrentá los e resolve los.

O arroz que diariamente comemos, seja ele integral ou beneficiado, podemos ter a certeza que também não foi utilizado um animal para transportá lo? São questões muito complicadas e podemos lhe afirmar que NENHUMA empresas pode lhe afirmar algo diferente e se o fizerem estarão faltando com a verdade.

No Brasil, infelizmente os produtos infantis OBRIGATORIA MENTE ( Anvisa obriga) são testados em animais. Os shampoos infantis, por exemplo, são testados nos olhinhos dos coelhos e é por este motivo que não trabalhamos com produtos infantis.

Assim, como dermocosméticos que são testados em animais.

A L'Oreal tem buscado alternativas e está em parceria com um laboratório de renome internacional para a criação de pele em 3D, o que substituirá os teste em animais. Isso é uma boa noticia. Ela será dona dessa tecnologia mas qualquer empresa do setor poderá adquirir as peles em 3D.

Infelizmente, nossa resposta ( o que para nós é muito ruim) para você é: a Lola não testa em animais. Nossa cadeia direta não testa em animais. O resto da cadeia é uma incógnita. Vamos esperar que neste ano avanços consideráveis aconteçam para equacionarmos de forma adequada a rastreabilidade dessa cadeia. Beijos e obrigada por nos escrever.

PS: muito importante para você saber, é que 95% das matérias primas usadas na indústria cosmética não são brasileiras. O Brasil não fabrica quase nada de MPs. Normalmente são importadas dos EUA, Europa e Ásia.


Atenciosamente,
Amanda Dias
Sac Lola
Grupo Farmativa | L O L A COSMETICS®
www.lolacosmetics.com.br"


Minhas considerações:

Primeiro, as empresas que não trabalham com dermocosméticos e produtos infantis podem sim fazer testes em animais. Não sei de onde ela tirou essa informação. Temos o exemplo da China, que exige testes para qualquer produto cosmético, seja maquiagem, perfume etc, não só dermocosméticos.

Buscar produtos livres de crueldade com animais (veganos) não difere em nada da busca por produtos sem exploração humana. Se eu perguntasse à LOLA se os produtos dela são livres de crueldade com humanos, certamente a resposta seria “sim, nossos produtos não são produzidos com exploração de humanos. Nossa empresa não possui trabalho escravo, não excluímos negros ou homossexuais...” e por aí vai.

Duvido que a resposta seria “essa é uma pergunta muito difícil... o que é explorar humanos? Nós não temos escravos nem praticamos discriminação, mas não temos como controlar a postura dos nossos fornecedores, por isso não há como garantir que nossos produtos são éticos. Um exemplo: quem nos garante que o óleo de palma usado em nosso setor (nos anfóteros e sulfatos, por exemplo), lá no inicio de sua plantação ou colheita na Ásia, não fez uso de humanos em situação degradante? Isso é um exploração humana”

Seja em relação à exploração humana ou animal, atualmente é impossível rastrear absolutamente toda a cadeia produtiva, principalmente se o o produto envolver vários ingredientes que passaram por várias etapas de produção. Mas isso não nos impede de fazemos o que é possível e rastrear onde pudermos, e tenho certeza que a LOLA, em relação à humanos, faz o que pode. E em relação aos animais, o que podemos fazer? Não usar nada que seja derivado de animais, não testar em animais e controlar o máximo possível os fornecedores. Por exemplo, o óleo de palma africano e asiático pode ser produzido às custas do extermínio de orangotangos e é perfeitamente possível não comprar óleo de palma de países da África, Indonésia e de outros países que importam a matéria prima de lá, e sim do Brasil, onde não existem grandes primatas.

"Nosso confrontamento com estes paradigmas é enorme e maior ainda a duvida de como enfrentá los e resolve los." 

Enfrente-os assim como vocês enfrentam esses mesmos paradigmas em relação à exploração humana.

"O arroz que diariamente comemos, seja ele integral ou beneficiado, podemos ter a certeza que também não foi utilizado um animal para transportá lo? São questões muito complicadas e podemos lhe afirmar que NENHUMA empresas pode lhe afirmar algo diferente e se o fizerem estarão faltando com a verdade."  

Idem com humanos. Quem me garante que nenhuma pessoa foi explorada nas plantações de arroz? Mas podemos garantir que pessoalmente não exploraremos nenhuma pessoa. Você pode garantir que na sua empresa nenhuma pessoa será discriminada e pode garantir que se souber que algum fornecedor discrimine negros ou homossexuais, por exemplo, vocês irão parar de comprar dele. Isso é perfeitamente factível. E quando alguém perguntar se a sua empresa discrimina negros, ao invés de responder “não temos como saber, essa pergunta é muito difícil, afinal nas plantações de arroz...” tenho certeza que a sua resposta será “de maneira alguma, prezado consumidor. Nossa empresa jamais praticaria tal tipo de discriminação”.

"No Brasil, infelizmente os produtos infantis OBRIGATORIA MENTE ( Anvisa obriga) são testados em animais. Os shampoos infantis, por exemplo, são testados nos olhinhos dos coelhos e é por este motivo que não trabalhamos com produtos infantis."

Não mais: https://www.abihpec.org.br/2015/04/produtos-infantis-setor-brasileiro-de-hppc-anuncia-avanco-regulatorio

"Assim, como dermocosméticos que são testados em animais."

Mais uma vez, a pessoa se equivocou. A Anvisa não reconhece o termo "dermocosmético". Ou é fármaco ou é cosmético. Segundo a lei 11.794-2008, não há exigência expressa para o uso de animais em testes, mas sim da apresentação de dados que comprovem a segurança dos diversos produtos registrados na Agência. Métodos alternativos são aceitos pela Agência desde que sejam capazes de comprovar a segurança do produto. Além disso, existem várias empresas nacionais de dermocosméticos que alegam publicamente não submeter seus produtos a testes em animais, como é o caso da Dermage.

Espero que a empresa Lola Cosmetics se informe melhor sobre veganismo e instrua melhor seus funcionários de SAC a dar informações corretas a respeito.

Exemplos de composição com ingredientes de origem animal nos produtos Lola.

Uso de lanolina no "Magic Prime":


Uso de queratina na máscara "Dream Cream":


Uso de queratina, colágeno e aminoácidos da seda no "Black Mamba" e "Argan Oil":

resenha lol cosmetics black bamba

argan pracaxi 3


ATUALIZAÇÃO:
Resposta da Lola através da página do blog no Facebook:

"...NUNCA nos afirmamos como empresa vegana, mas sim como uma marca de cosméticos que não testa em animais. Por outro lado temos nos pronunciado e afirmado que estamos reformulando nossos produtos que ainda contem derivados de animais. Nossos aminoácidos são todos de origem vegetal ou sintética e para isso os adquirimos da maior empresa mundial do setor e certificada para tal. Nossa queratina na maior parte de nossos produtos é de origem vegetal. Os produtos que ainda possuem queratina animal, lanolina, extrato de própolis, cera de abelha, mel, por exemplo, estão entrando na fase de mudança. Estamos reformulando a linha na medida em que nossos testes de segurança e eficácia estejam prontos."