terça-feira, 22 de setembro de 2015

Ogrando em São Paulo | Stuzzi, Jedi's e Loving Hut

Já mostrei alguns lugares de onde ograr "veganamente" em São Paulo nessenesse e nesse post, lembram? Vou indicar agora mais algumas opções veganas que eu conheci, gostei muito e valem a pena conferir.


1. Jedi's 


O Jedi's é um restaurante temático inspirado em Star Wars. A decoração é toda pensada nos pequenos detalhes: de lightsabers na parede à imagens dos personagens nos banheiros (Princesa Leia no feminino, Luke no masculino e Yoda no banheiro para cadeirantes). Achei que ficaram faltando imagens dos fofos dos Ewoks (eles são tão underrated...), mas ainda sim, a experiência de conhecer o lugar foi muito interessante.

Há 2 opções de hambúrgueres veganos:

355 Vegano Vader – R$ 34,90
(Maionese vegana Yoda, shitake, hambúrguer de soja e alface à Juliana)


356 Vegano Yoda – R$ 34,90
(Maionese vegana Yoda, tomate, hambúrguer de soja e brotos de rúcula)


O restaurante é pequeno, por isso costuma lotar nos finais de semana.




Hambúrguer "Vegano Yoda" - pão integral com grãos de quinoa, maionese vegana de ervas, alface, shimeji e hambúrguer de soja com legumes (parecido com aqueles vendidos unitários da Ecobrás e da Samurai)


Selfie mangolona no banheiro feminino com a Princesa Leia (bem diferente!) e uma delícia de hambúrguer vegano.

Que a força vegana esteja com você!

Endereço: Rua Verbo Divino, 1194, Chácara Santo Antônio (próx. metrô Granja Julieta)
Segunda à Domingo: 11:00-00:00
Telefone: (11) 2387-2552 / 2387-2553
https://www.facebook.com/jedisburgeregrill


2. Stuzzi


A Stuzzi é uma sorveteria (ou gelateria italiana) com várias opções veganas. A recepção ao público vegano é tão grande, que lá é mantido um quadro informando que são "vegan friendly", no qual o símbolo de "V" em frente ao sorvete, significa que é vegano, ou seja, sem leite ou qualquer outro ingrediente de origem animal. Ia ser bom demais se um dia "veganizassem" todos os sabores.




Veganos: Morango, Mix de castanhas, Chocolate Tanzânia, Chocolate com amêndoas e Pistache

Chocolate com amêndoas - símbolo com indicação de vegano

Preço: R$12 por 2 bolas

Todos os sabores são maravilhosos, mas o de pistache é simplesmente perfeito!


Rua Zacarias de Góis, 1419 - Campo Belo (próximo ao aeroporto de Congonhas)
Telefone: (11) 4329-2103
Obs: Há também uma unidade no Vila Madalena.
http://www.stuzzi.com.br/
https://www.facebook.com/stuzzicomelitalia

3. Loving Hut


O Loving Hut é uma cadeia de fast food internacional, sendo esta em São Paulo, uma das 3 unidades no Brasil (tem outra em Goiânia!). O restaurante é totalmente vegano e funciona como buffet: livre à vontade (R$32) ou R$40 o kg.

Uma das coisas mais legais é que há comida de todo tipo e para todos os gostos: yakissoba, sushis, pão de queijo, bolinhos fritos, cogumelos, esfihas, pastéis e muita salada.



Strogonoff, tofu, bolinho de batata doce e bolinho de mandioca <3


Rua França Pinto, 243 Vila Mariana
Terça a Sexta 11:30 - 15:00 | Sábado e Domingo 12:00 - 15:30 | Fechado às Segundas
Telefone: (11) 5082 2267 / 2385 2125
Quem estiver na galeria do rock pode dar uma passadinha na loja Art Vegan e experimentar doces e salgados veganos. Além de comidinhas, lá tem a venda roupas com mensagens veganas, livros e produtos de higiene

As trufas são um caso de amor antigo, desde a época que pertencia à Genevy.

Preço: R$3,00


Avenida São João, 439 - 3º Andar - Loja 429 - Galeria do Rock
Telefones: (11) 3333-6576 e 3222-6702
Horário de funcionamento - de 2ª à sábado das 10:00h às 18:00h.

Qual é o melhor lugar para ograr veganamente em São Paulo? 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Resenha | Ritual Box de Agosto

 Para quem ainda não conhece: a Sublime Rituais é um serviço de assinaturas de caixas com produtos de beleza, as quais seguem um determinado tema a cada mês. Todos os produtos são veganos e preferencialmente naturais e orgânicos. As resenhas das edições anteriores podem ser vistas nesse link.


A Ritual Box da Sublime teve a edição especial com curadoria da Karina Viega, do blog Acorda Bonita!. Achei que a escolha dos produtos foi super válida porque tenho certeza que eles não vão ficar encostados na gaveta, são todos úteis. Em outras oportunidades, já tinha conhecido todos eles, com a exceção do óleo de coco Palmiste da Laszlo, apesar de já ser adepta há anos do óleo de coco comum.

Os produtos dessa edição foram:


Óleo de Coco Palmiste da Laszlo




Não sei se vocês sabem, mas o óleo de palma produzido fora do Brasil pode ser proveniente da Indonésia e Malásia. Cerca de 90% de todo óleo de palma produzido no mundo vem desses países. O problema é que várias florestas nesses países são desmatadas (leia-se: são queimadas) para dar espaço para as plantações de palma. E nessa, o habitat de orangotangos é destruído, fazendo com que a espécie esteja atualmente ameaçada (Fonte).

Me parece que no Brasil a produção de óleo de palma não é destrutiva (fonte) e aqui não existem grandes primatas nativos. Por essa razão, sempre que for comprar algum produto importado, verifique se o cultivo de palma é orgânico, de preferência certificado. Dê preferência também aos óleos de palma de origem brasileira.

Felizmente esse óleo de palmiste da Laszlo (Elaeis Guineensis Palm Kernel Oil) é de cultivo orgânico do Brasil. Ele é refinado, por isso não possui cheiro, mas suas propriedades permanecem as mesmas, sejam cosméticas ou nutricionais.

O que mais me chamou a atenção nele foi essa embalagem. Por um lado, ela foi pensada para aquelas pessoas que colocam o mãozão dentro do pote de óleo (o/) e acabam o contaminando, mas mesmo num calor de 30 graus, o óleo permaneceu sólido. Por essa razão, achei a embalagem pouco prática, já que para retirar o óleo, precisamos usar uma espátula/colher ou aquecê-lo em banho-maria.

Eu usei para fazer umectação, deixando o óleo de palmiste em todo o cabelo, inclusive na raiz, antes de dormir e retirei ao acordar, lavando o cabelo normalmente com shampoo e condicionador. Senti a mesma sensação de cabelo sedoso e brilhante que normalmente sinto com o óleo de coco de praia. Também usei como hidratante corporal e tive a mesma impressão, com a diferença de ser totalmente inodoro. Dessa forma, quem se incomoda com o cheiro de coco (existe alguém?), o óleo de palmiste é uma opção. Além disso, ele pode ser ingerido e usado em receitas salgadas sem que o gosto do óleo interfira.

Qual óleo é o melhor: o de coco de praia, babaçu ou palmiste? Depende. Para o meu cabelo, achei que o óleo de babaçu ganhou (pareceu que "penetrou" melhor nos fios, sem pesar). Por outro lado, amo as minhas preparações com óleo de coco de praia por causa do cheiro. Mas se eu fosse escolher um para comprar, tentaria encontrar o mais barato, já que os 3 são excelentes.

Já conhecia os óleos essenciais e vegetais da Laszlo (eles são daqui de BH) e todos são de ótima qualidade, super confiáveis.

Máscara Fixação da Cor da Surya



Na minha opinião esse é o melhor produto da Surya. Considero que, pela composição riquíssima, é um excelente custo-benefício. Ela não contém parafina nem silicones, sendo indicada para adeptos do "no poo". Uso há anos e sempre faço estoque. Já falei sobre essa máscara nesse link, mas resumindo, costumo usar como condicionador (sem necessariamente deixar no cabelo por 15 minutos como recomenda o rótulo). Também costumo usá-la misturada com outros condicionadores, pelo fato de ela ser muito emoliente.

Se o seu cabelo é tingido ou danificado, a máscara pode ser usada no cronograma capilar junto à outras máscaras reconstrutoras, hidratantes ou nutritivas, dependendo do quão danificado o cabelo esteja. Caso seja um cabelo normal, com pontinhas levemente ressecadas, essa máscara dá conta do recado sozinha.

Fluido Hidratante Facial da Feito Brasil



O hidratante facial pertence à linha Segredos de Camarim. Segundo a descrição: Contém silício orgânico que restaura a elasticidade, tonicidade e firmeza da pele, além de hidratar de forma intensa. Contém seda de arroz e tapioca que conferem um toque seco e suave, transmitindo efeito mate e sensação aveludada à pele. Com proteínas de soja e trigo e extrato de aveia que promovem nutrição e maciez.

Na minha pele mista/oleosa/sensível com tendência à acne, o fluido deixa a pele sequinha, segura a oleosidade por pouco tempo e deixa a pele macia e bem hidratada. Tem um perfuminho floral/frutal muito agradável.

Eu aproveitei pra fazer um primer facial caseiro usando este hidratante + argila branca. Quem tem pele oleosa, vai gostar!

Tenho um carinho grande pela empresa Feito Brasil, que é totalmente vegana! Adoro as embalagens, as homenagens às paisagens e à cultura brasileira. Ia AMAR se começassem a produzir maquiagens.



Amostras: hidratante corporal da Feito Brasil (linha Essência Musical), hidratante e esfoliante da Surya (linha Sapien Women).

O hidratante corporal da Feito é levinho, não pegajoso, absorve rapidamente e tem cheiro docinho suave, apesar de não achar uma delícia. Ele é mais adequado para o clima quente. A bisnaga fofa vai pra necessaire de viagem.

Já o da Surya, é mais denso, tem a composição totalmente natural e orgânica. O perfume é predominantemente doce de baunilha, coco e framboesa = viciante. A linha Sapien é super cara, mas são cosméticos naturais orgânicos de ótima qualidade, super cheirosos e hidratantes. Ah, e o esfoliante corporal é a base de casca de coco!

Quem quiser saber mais sobre a Ritual Box, comprar os produtos separadamente e saber sobre os planos para assinatura, visite o site: http://sublimerituais.com.br/


Os produtos neste post foram enviados pela representante da Sublime para considerações voluntárias no blog. Todas as minhas opiniões são 100% honestas e nenhum produto receberia uma avaliação favorável, a menos que tenha fornecido resultados favoráveis. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

9 Motivos para não apoiar o bem-estarismo


A teoria do bem-estar animal (bem-estarismo) defende que é moralmente aceitável usar animais para fins humanos, contanto que esses animais sejam tratados “de forma humanitária” e não haja sofrimento “desnecessário”. Dessa forma, de acordo com a lógica do bem-estarismo, o uso de animais deve ser regulamentado visando melhorar as condições as quais os animais para consumo estão submetidos.

Existe um debate interminável sobre a efetividade da abordagem bem-estarista versus abordagem abolicionista. Por um tempo, preferi não me aprofundar sobre essa questão, acreditando que meu tempo e a minha energia seriam melhor direcionados para outros assuntos. Mas após acontecimentos recentes, como o caso dos porcos do Rodoanel e a recente comemoração de alguns veganos a respeito das medidas adotadas pelo McDonald's, senti que isso precisa ser mais debatido. Portanto, vou compartilhar minhas reflexões sobre os erros da estratégia bem-estarista.

"McDonald's anuncia compromisso em comprar ovos de galinhas criadas soltas em galpões".
 Vitória monumental para os animais? 


Não é raro ouvir as pessoas dizendo que não concordam com a forma a qual os animais são tratados atualmente em fazendas industriais e abatedouros, mas acreditam que comprar carnes, ovos e laticínios orgânicos de pequenos produtores seja a saída para esse problema, já que dessa forma, iriam financiar uma melhoria na vida desses animais. Tem sempre alguém dizendo que conhece um sítio onde os animais vivem bem, são criados soltos e felizes...

Existem também algumas pessoas que acreditam em medidas bem-estaristas como o aumento de baias de porcas ou a criação de galinhas poedeiras fora de jaulas, como um avanço rumo à abolição da exploração animal.

Abaixo eu explico os motivos pelos quais essa "solução" proposta pelos bem-estaristas não só é ilusória e inviável, como é contraproducente e anti-ética.

O perigo de rótulos como "humanamente abatido" e "criado livres de gaiolas" é que se perpetua a ideia de que há uma maneira certa de explorar e matar animais. 

1. Cerca de 50% da carne consumida no Brasil são de matadouros clandestinos.


A fiscalização no Brasil em criadouros de animais é tão precária, que mesmo se uma empresa ou fazenda fiscalizada alegar que os animais são bem tratados, qual é a garantia? Quem está fiscalizando? E o mais importante: quem se importa? No final de suas vidas, os animais são executados. Não existe aposentadoria nem morte natural de vacas, porcos e galinhas exploradas para produção de carne, laticínios e ovos.

Mesmo na mais bucólica e simpática fazenda fiscalizada, ocorre a castração de porcos sem anestesia, debicagem de aves, marcação com ferro quente, corte de chifres, separação de filhotes de vacas e transporte em condições deploráveis até o abatedouro.



2. A definição de maus tratos é vaga.


O que é maus tratos? Quando o assunto é maus tratos de animais, cada pessoa tem uma definição própria de maus tratos. Por exemplo, nós veganos consideramos maus tratos deixar um cão amarrado na coleira durante toda a sua vida, mesmo que tenha acesso à comida e água. Sabemos que cães são seres curiosos, possuem interesses em conhecer novos lugares, necessitam andar, cheirar, correr, interagir e brincar. Para várias outras pessoas e para a legislação brasileira, se o cão tem água, comida, um teto, atendimento veterinário de vez em quando e não sofre tortura física (espancamento), pouco importa se ele fica preso o dia todo.

Se com cães e gatos já é assim, em relação aos animais criados para consumo humano as leis de proteção animal não existem no Brasil, por isso você pode fazer praticamente o que quiser com um animal e ainda assim estará dentro das leis. Por exemplo, pegue um porco, castre-o sem anestesia, arranque os dentes no alicate, queime-o com ferro quente, mantenha-o confinado por toda a vida e depois mate-o com uma facada no quintal da sua casa e faça uma feijoada caseira pra você e seus amigos. Você estará 100% de acordo com a lei brasileira.

Separar bezerros das mães é maus tratos? Manter galinhas soltas mas matar todos os galos é maus tratos? Transportar animais por distâncias enormes em caminhões com condições insalubres até o matadouro é considerado mau trato? Pescar peixes com anzol ou redes e deixá-los morrer sufocados é considerado tortura? Uns dirão que sim, vários dirão que não. A definição é pessoal e vaga, por isso uma empresa pode perfeitamente colocar selos nos seus produtos dizendo que seus animais são bem tratados. São bem tratados de acordo com qual definição de mau trato? De acordo com a definição que a própria empresa tem do que é ou não mau trato!! Mas certamente um selo de “nossos animais são bem tratados” ou "certified humane" acarreta num considerável aumento das vendas!

Isso é maus tratos? A legislação diz que não, quem trabalha com isso diz que não e as empresas dizem que não. Fonte: O Holocausto Animal


Outro exemplo evidente de como a definição de maus tratos é vaga. Alguém aqui curte ou defende sexo com animais? Imagino (e espero) que não! Todos repudiamos a violência com que animais são estuprados. Mas quando se a finalidade for a produção de laticínios... aí tudo bem! Não é mau trato!

 

3. A relação explorador x explorado nunca é de respeito.


O objetivo do explorador de animais é lucro. Sempre e unicamente lucro. Não tem essa de "na minha fazendinha todos são felizes e bem tratados e esse é o meu objetivo". O lance é dinheiro e o que fazer pra ganhar ainda mais dinheiro às custas da exploração dos animais. Não existe relação amigável e de respeito entre senhor e escravo. Quando os interesses do explorador e do explorado entrarem em conflito, qual irá prevalecer? A relação explorador/explorado JAMAIS será de igualdade, respeito, amizade.

Pra piorar, é uma característica bastante comum entre humanos sentir prazer em abusar de seres (humanos ou não humanos) em situação de inferioridade. Relação de dominação implica necessariamente em violência. Isso é científico. Dessa forma, nenhuma fazenda (empresa) que lide com a exploração animal tem como garantir que os animais não estão sendo agredidos, já que é comum pessoas se tornarem agressoras por estarem numa posição de superioridade que as permitam agredir.

Existe o clássico experimento de aprisionamento de Stanford (virou até um filme: "Das Experiment"), onde pessoas comuns foram colocadas umas na situação de guardas e outras na de prisioneiros. Os “guardas”, por estarem numa situação de superioridade e controle, começaram a praticar atos absurdamente cruéis. O experimento, idealizado para durar semanas, teve que ser abortado em 6 dias, devido à crescente brutalidade dos “guardas”, que eram pessoas até então normais, sem sinais de psicopatia.

No Brasil, a bizarra prática de zoofilia nas fazendas é largamente difundida. Frequentemente vemos homem admitindo publicamente que já estuprou animais na fazenda. E depois dizem “mas tem uma fazendinha que os animais são bem tratados e só compro de lá...”. Então tá.

Conclusão: enquanto a relação humano-animal não humano for de dominação, exploração e interesse, é impossível que não haja nenhuma crueldade envolvida.


4. Não defendemos bem-estarismo quando é o ser humano que está sendo abusado ou explorado.


Segundo a lógica bem-estarista, seria possível defender violência “humanitária” com humanos? Por exemplo, alguém defenderia estupro contanto que a mulher esteja sedada? Jamais.

Como dito pelo ativista Gary Yourofsky, alguém aceitaria um estupro bem-estarista? Imaginem um sujeito educado, convidando uma mulher para ir num restaurante com ele. Ambos vão felizes a um ótimo restaurante italiano, conversam, se divertem... aí o sujeito coloca uma droga na bebida da mulher. Ela apaga. Quando acorda no dia seguinte, percebe que foi estuprada. Mas ela não sentiu nada, estava dormindo. E foi muito bem tratada antes do estupro. Que tal? Assim pode então? Não, né?

Mas quando se trata de um animal, curiosamente, está tudo bem nesse caso. Contanto que a teoria bem-estarista não nos seja aplicada, está ok. O bem-estarismo é bastante tentador para justificar nosso atos quando nós somos os exploradores, mas é imediatamente repudiado quando nós somos as vítimas. Bem-estarismo para manter a nossa posição de explorador? Ótimo! Bem-estarismo para nos manter na posição de vítima? Nunca!

As vacas leiteiras de pequenas fazendas também sofrem uma forma de violação, seja para que seu leite seja sugado diariamente contra a vontade delas, seja para serem inseminadas artificialmente. Após o nascimento do bezerro, ocorre mais uma violência: a separação da mãe e filhote recém-nascido, causando grande sofrimento para ambos.


5. Reduzir sofrimento ainda é sofrimento.


Se alguém me perguntasse se eu gostaria de tomar 3 tapas na cara ao invés de 10, é claro que eu responderia que sim. Mas o fato é que eu não gostaria de tomar nenhum tapa. Se eu prefiro 3 ao invés de 10, não significa que deveríamos sair por aí propondo às pessoas para que deem apenas 3 tapas nos outros.

Há algum tempo, Paulo Maluf pediu para que os estupradores apenas estuprassem, mas não matassem mulheres (Fonte). Essa lógica usada pelo Maluf é também muito usada pelos bem-estaristas: reduzir o dano é uma grande vantagem.

No entanto, isso foi considerado tão inadmissível que esse absurdo proferido pelo político virou motivo de repúdio naquela época. Quando a vítima é um humano, pelo visto só reduzir danos não cola.

Dessa forma, aumentar jaulas de porcas e galinhas poedeiras continua causando sofrimento e sendo uma forma de exploração, mesmo que seja menos desagradável. Regulamentar o uso de cavalos em carroças não irá livrar a vida abominável dos cavalos, talvez vá melhorar em um ou outro aspecto, mas o saldo final será negativo, afinal livrará a consciência de quem contrata o serviço dos carroceiros, fazendo com que mais cavalos sejam explorados, ao invés de se incentivar o uso de cavalos de lata ou caçambas.



6. Na prática, ninguém consome apenas produtos de criação extensiva e orgânica 100% do tempo.


Quem alega ser contra a forma como os animais são criados, geralmente não se importa com a procedência de seu alimento o tempo todo. Isso significaria se alimentar como um vegano quando não houver acesso ou garantia de procedência "humanitária" de laticínios, ovos e carnes. Se o sujeito vai a um bar ou restaurante, quem garante que aquela carne servida é oriunda de pecuária "sustentável e humanitária" ou os ovos são provenientes de galinhas criadas soltas? Nesse caso de incerteza, ele estará disposto a pedir salada, batata frita e macarrão sem ovos ao sugo ao invés da picanha? Abrirá mão de presunto e salame da Sadia?

Se a pessoa defender de verdade o consumo bem-estarista, acabará sendo vegano 90%  do tempo, já que o acesso aos produtos oriundos desse sistema não são muito acessíveis. E se já é vegano 90% do tempo, pode muito bem ser vegano 100% das vezes.

Bem-estarismo não passa de argumento para defender a exploração animal. Um argumento tão vagabundo que nem quem o defende o segue na vida real. 


7. A criação extensiva e orgânica de animais não atenderia a população global.


O bem-estar animal passa pela liberdade dos animais. Tendo isso em vista, o mundo não comportaria criações extensivas de animais para uma mesma quantidade de consumo atual. Seriam necessários vários planetas Terra caso todos os animais mantidos confinados hoje fossem criados livres em fazendas.

O bem-estarismo não passa de argumento para ser usado em discussão. Na prática, nem viável ele é.


8. Animais machos não tem vez em fazendas leiteiras ou em granjas. 


O destino de machos e de animais considerados “velhos” (leia-se: menos produtivos) em qualquer fazenda é apenas um: o abatedouro. Vacas precisam se reproduzir para dar leite. Galinhas precisam se reproduzir para dar continuidade à exploração. Os machos que nascem não tem vez porque não são financeiramente interessantes (bezerros de vacas leiteiras e pintinhos machos de galinhas poedeiras não são geneticamente gordos como os de corte) e são enviados para o abatedouro (ou para a panela) pouco depois que nascem.

Tanto na fazendinha “feliz” quanto nas criações industriais, o objetivo é o mesmo: lucro. E quando a produtividade do animal começa a cair devido à idade, eles são assassinados.

Não existe SPA grátis para machos e animais menos produtivos nessas fazendas.


9. A melhoria das condições dos animais em indústrias aumenta a produtividade.


Esse é um efeito colateral grave do bem-estarismo: alivia a consciência de quem explora animais, aumentando o consumo e, consequentemente, a exploração dos animais.

Se o bem-estarismo não impede a exploração de animais, por que grupos que dizem apoiar a causa animal defendem o bem-estarismo e não a abolição da escravidão animal (veganismo)? Simples: porque esses grupos na verdade são empresas que sobrevivem às custas de doações e de associados, e defender causas impopulares como "parem de explorar animais" ou "se tornem veganos" pode acarretar em dificuldades de conseguir associados e, consequentemente, dinheiro. Essas empresas, digo, grupos bem-estaristas, preferem apoiar ações que não acarretam em grandes mudanças na vida das pessoas. Para os bem-estaristas, não é preciso abrir mão de carnes, laticínios, ovos, couro, cosméticos, etc., basta comprar carne no supermercado X ao invés do Y, cobrar que a sua rede de fast food predileta se comprometa com o bem-estarismo (como o McDonalds fez) e, no mais, é vida que segue. Já ser vegano retira o sujeito da tão querida zona de conforto, frequentemente exigindo mudanças profundas no dia a dia... e nada é mais impopular que isso. O público se sente "compassivo" e descarta as obrigações morais consumindo produtos de animais "felizes".

No meu entendimento, as pessoas podem sim entender perfeitamente o significado de veganismo. Os argumentos para o veganismo como uma obrigação moral são perfeitamente inteligíveis para quem se preocupa o suficiente para ouvir. A maioria das pessoas entendem a ideia de que é errado infligir sofrimento aos animais por razões de prazer ou diversão, ou conveniência, mesmo que de outra forma não aceitam o igualitarismo de uma abordagem dos direitos animais. Por essa razão, não vejo a necessidade de usar abordagens bem-estaristas, pisar em ovos para falar sobre veganismo e propor pequenos passos rumo à abolição.

O bem-estarimo promove a ideia de que a forma como usamos os animais é errada, quando na realidade deveríamos promover que usar animais é errado, independente da forma como são tratados. Se existe uma forma certa de explorar e matar animais, pra que serve o veganismo?

Gary Francione diz no livro de introdução aos direitos animais:
"Se o bem-estar animal tiver algum efeito, é o de tender a facilitar a exploração dos animais, porque faz as pessoas se sentirem melhor quanto a usá-los."   
 [...]
 Tente conversar sobre veganismo com ao menos uma pessoa por dia. Se, no decorrer de um ano, só algumas dessas pessoas se tornarem veganas, você terá reduzido mais sofrimento do que gastando seu tempo trabalhando por leis que vão dar 2cm de espaço extra a uma galinha numa gaiola de bateria."

Nota: Existem fazendas sem crueldade animal: os santuários. Ex: Santuário das Fadas e Rancho dos Gnomos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Produtos veganos da Korres


Há alguns dias uma pessoa me questionou sobre a Korres, uma empresa grega recentemente reinaugurada no Brasil, e até então achava que financiava testes em animais na China. No entanto, depois de algumas pesquisas, vi que a Korres tinha decidido não vender mais lá devido aos testes, logo seu status atual é de cruelty free. A marca antigamente era vinculada à Johnsons, mas hoje é independente. Caso queira ler mais sobre a troca de e-mails entre uma blogueira gringa e a Korres, clique aqui.

As boas notícias são: existe uma lista de produtos veganos e os preços no Brasil estão bastante convidativos. Há venda online pelo site oficial e através da Sephora Brasil.

Na loja virtual existe a lista de ingredientes de alguns produtos e há também a menção de quando um produto não possui ingredientes de origem animal. Segundo o SAC, utilizam a cera alba (cera de abelha) e a proteína do leite na linha "Milk Proteins".



De acordo com o tumblr "veganmakeup" esta é uma lista de produtos veganos disponibilizada pela Korres dos EUA:

  • Produtos para cuidados faciais e corporais:

Creme hidratante: Wild Rose 24-hour Moisturizing Cream
Serum: Wild Rose Brightening
Wild Rose Oil Targeting Pen
Creme noturno: Olive and Rye Night Cream
Sugar Crystal Cream
Creme de olhos: Sugar Crystal Eye Cream
Pomegranate Moisturizing Cream
Esfoliante: Pomegranate Scrub
Máscara Pomegranate Mask
Esfoliante: Lemon Lip Scrub
Creme de olhos: Eyebright Eye Cream
Yellow Hibiscus
Creme de olhos: Evening Primrose Eye Cream
Sabonete facial: White Tea Cleanser
Esfoliante: Almond Meal Scrub
Cinnamon & Thyme Gel for Topical Use
Materia Herba Skincare (Todos)
Showergels (Todos)
Body Butters (Todos exceto Yogurt)


  • Maquiagens (ainda não disponíveis no Brasil até o momento):
Hidratante tonalizante: Watermelon Tinted Moisturizer ((Todos)
Base: Wild Rose Foundation (Todos)
Corretivo: Wild Rose Concealer (Todos)
Base: Ginger & Vitamins Foundation (Todos)
Sombras: Evening Primrose Eyeshadow: 15 NUDE, 58 GRAPHITE GREY
Lip Butters (Todos)
Lápis: Lipliner Pencil: 1 NEUTRAL LIGHT, 2 NEUTRAL DARK, 3 BROWN ORANGE, 4 RED
Lápis: Eyeliner Pencil (Todos, exceto 11 PURPLE WHITE)
Lápis: Eyebrow Pencil (Todos)
Máscara de cílios: Abyssinia Mascara: 01 BLACK, 02 BROWN, 03 COBALT BLUE



Seria ótimo se a Korres se comprometesse a identificar os produtos com selos de algum órgão certificador, como o Leaping Bunny ou Peta.

Ainda não testei nada da marca, não tenho opinião sobre os produtos. Alguém já testou? O que acharam?

ATUALIZAÇÃO: A Korres fez parceria de distribuição dos produtos com a Avon do Brasil.

A minha opinião é que, apesar de a matéria prima ser toda importada da Europa e não passar por testes em animais, eu também não gostei do fato da Korres ter parceria de distribuição com a Avon no Brasil. No entanto, acho que funciona no mesmo esquema em que são vendidos potes de vidro e plástico, livros, lingeries etc por meio de revistas/folhetos da Avon. Da mesma forma que não vejo sentido em boicotar marcas de sutiã ou tênis por causa da parceria que tem com a Avon do Brasil, também não vejo sentido em boicotar a Korres. Espero que eles consigam se estabelecer por aqui no futuro sem precisar mais dessa parceria. Os preços são bem acessíveis!

Exemplos de empresas que mantém parceria com a Avon: 
DelRio, Olympkus, Grendha, Trifil, Rider, Beira Rio, Moleca, Grendene, Azalea e mais uma infinidade de outras marcas.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Resenha dos produtos | Veggie Box de Julho



Para quem não conhece a Veggie Box e se interessou sobre como funciona e as edições passadas, eu já expliquei aqui.

Os produtos recebidos nessa edição da Veggie Box de julho foram:


Esmaltes da Latika nas cores - "Creme de Framboise" e "Sussurro do Vento"



Olha a folha de bananeira!


Eu não conhecia a Latika e gostei de saber que temos mais uma opção de produtos veganos. Enviei uma mensagem perguntando sobre os esmaltes e o BB Cream e essa foi a resposta:

"Boa tarde Eliana

Conforme havia lhe informado, chequei com os nossos fornecedores a origem das matérias primas utilizadas nos nossos produtos e fui informada por eles que os nossos produtos não contém substâncias de origem animal. O Caprylic/Capric Triglyceride contido no BB Cream é de origem vegetal.

Não testamos em animais e não terceirizamos com empresas que assim o fazem.

Segue a relação dos ingredientes básicos utilizados em todas as cores / esmaltes: Butyl Acetate, Ethyl Acetate, Dibutyl Phtalate, Nitrocellulose, Toluene, Tosylamide Formaldehyde Resin, Alcohol, Benzophenone, Maleic Acid, Lecithin, Isopropyl Alcohol, Stearalkonium Hectorite + os pigmentos relativos a cada cor.

Fico á disposição caso tenha mais dúvidas.

Atenciosamente
Maritza L. Barthmann
Resp. Técnica
Latika Importação e Exportação Ltda ME"



Embora eu já tenha cores muito parecidas de esmaltes (vermelho e cinza), achei essas cores bonitas. Talvez a cinza não seja muito usável por certas pessoas. Seria ótimo se pudéssemos escolher nossas cores preferidas e cores que não gostaríamos de receber. Então fica a dica para a Veggie Box criar essa opção!

A textura de ambos é cremosa e seca razoavelmente rápido. Achei eles fáceis de aplicar. A duração nas unhas sem descamar é ligeiramente maior que a de esmaltes do tipo Impala. Alguns deles possuem na composição ingredientes que causam alergia, como o tolueno, o formaldeído e o DBP. No entanto, há opções "3 Free" sem esses ingredientes, como é o caso desse esmalte vermelho ("Creme de Framboise").
 

Óleo de Babaçu da Phytotherápica


Meu produto preferido da caixa!


O coco Babaçu é uma planta nativa do norte do Brasil e seu óleo tem várias propriedades à pele e ao cabelo, sendo amplamente usado em cosméticos. Não é considerado comedogênico (ou seja, não obstrui os poros) e possui cerca de 50% de ácido láurico (um agente bactericida). Dentre seus benefícios, podem-se destacar a ação anticaspa e a hidratação de pele e cabelos. 

Por incrível que pareça, eu gostei mais do resultado desse óleo de babaçu que o óleo de coco para umectação capilar noturna. Meu cabelo é fino, oleoso na raiz, ressecado e poroso nas pontas. Achei que ele penetra mais no meu cabelo. Eu faço assim: antes de dormir eu aplico uma pequena quantidade na mão, esfrego até derreter e aplico mecha a mecha, desde a raiz e massageando até as pontas. Faço um coque e durmo. No dia seguinte eu acordo e lavo o cabelo com shampoo e máscara, normalmente. Estou fazendo essa umectação toda semana e o cabelo depois de lavado fica SENSA! Eu também misturei um pouco desse óleo com a máscara da Surya e também deixou meu cabelo muito mais macio e brilhoso.

O único ponto negativo é essa embalagem, que dificulta pra tirar o produto que costuma ficar solidificado em temperatura ambiente (25°C). Sendo assim, a melhor forma é retirar com uma espátula ou aquecer o frasco em banho-maria. Ah, e ele não tem cheiro de nada.


Máscara de Cílios Nati Emporium



A Nati (ou Native?) Emporium é uma pequena empresa de produtos artesanais e naturais, sendo a maioria vegano (ainda utilizam cera de abelha em alguns, mas estão em processo de substituição).

Eu já tinha experimentado os sabonetes quando tive a oportunidade de comprar num bazar em São Paulo (comentei aqui). Apesar de não ter me adaptado com o shampoo sólido, os sabonetes são ótimos e super cheirosos.

Essa máscara contém ingredientes bem naturais mesmo, podendo ser usada por alérgicos. Não espere que ela alongue ou dê muito volume nos cílios, ela apenas define de forma bem sutil, sem deixar os cílios durinhos. A duração nos cílios é baixa, cerca de 6 horas. Recomendaria apenas para quem preza por aparência natural e não quer cílios volumosos e longos, ou para quem tem alergia e prefere usar apenas ingredientes não sintéticos, sem ter que desembolsar muito.

Dica para quem possui a máscara e quer dar um "up": misture argila preta ou sombra preta com 1 gota de óleo de rícino, misture e tente colocar no tubinho com a ajuda do aplicador.


Tônico Adstringente da Nati Emporium


Composição: Água de Rosas com Hamamelis e Arnica, Água de Melissa e Flor de Laranjeira com Camomila, Combinação de Ervas, Bardana, Vitamina E e Óleo Essencial de Lavanda.


Os tônicos são indicados para uso após a limpeza do rosto com sabonete. Após a limpeza, o que a pele precisa é de uma série de ingredientes que recuperam e reparam a superfície. O tônico adequado pode deixar a pele com aparência mais saudável e mais viçosa tanto após a limpeza quanto ao longo do dia.

Em peles mistas e oleosas, é recomendado usar tônicos adstringentes, com ingredientes que ajudam a diminuir a aparência de poros dilatados e controlar a oleosidade ao longo do dia. As secas podem usar tônicos que não sejam adstringentes, mas que contenham ingredientes que beneficiam a redução de vermelhidão e regiões descamadas.

Tônicos a base de álcool são muito comuns, mas devem ser evitados porque podem causar irritação e pode prejudicar a capacidade de produção de colágeno da pele. Eles também podem aumentar a oleosidade da pele depois de algum tempo que foram aplicados.

Esse tônico adstringente da Nati Emporium é adequado tanto para peles mistas e oleosas/acneicas quanto as secas. Ele possui ingredientes como a camomila que é um anti-irritante da pele, a arnica acelera o processo de cicatrização, o hamamélis (witch hazel) reduz inflamação, refresca a pele e reduz a aparência de poros dilatados. A vitamina E hidrata e o perfume agradável se deve à água de rosas e óleo essencial de lavanda.

Embora eu seja adepta do meu tônico caseiro a base de vinagre, chá verde e tea tree (resenha aqui), minha pele se adaptou bem a esse tônico da Native, senti a pele fresquinha e também notei uma leve redução de oleosidade ao longo do dia. O cheiro é agradável. É uma pena que durou menos de um mês

 
Sobre as amostras: ainda não consegui chegar a uma conclusão sobre o creme facial da Cativa, mas a minha opinião sobre o BB Cream mudou um pouco desde a última resenha. Não sei o que aconteceu, se a amostra veio com uma fórmula diferente, mas dessa vez achei bem mais fácil de espalhar.

Brinde: pente de madeira