sexta-feira, 29 de maio de 2015

Roliçando em São Paulo - parte 3

São Paulo é a cidade mais vegan friendly do Brasil e sempre que eu tenho a oportunidade de viajar pra lá, aproveito pra conhecer alguns restaurantes e lanchonetes veganas ou com opções veganas no menu. A cada dia surgem lugares novos adequando o cardápio ao público vegano e eu fico bastante emocionada de ver que o veganismo vem crescendo e conquistando seu espaço aos poucos, rumo ao objetivo de dominar o mundo.

Já mostrei alguns lugares em São Paulo nesse, nesse e nesse post, lembram? Estou longe de zerar a rota vegana da cidade e isso é muito bom. É importante para o veganismo que pessoas não-veganas tenham facilidade em encontrar rango vegano fora de casa, até para desmitificar a ideia de que é impossível comer bem fora de casa sendo vegano, seja na hora de almoço do trabalho ou no encontro com os amigos à noite.

Lá tem tanta opção que é exatamente assim que eu me sinto quando conheço um restaurante vegano ou com menu vegano:


Dancinha fofa de Ewok! Só que ao invés de Endor é a batalha contra o carnismo.

Essas foram as minhas últimas orgias aventuras gastronômicas por lá. Recomendo todos esses lugares. Amei tudo e voltarei neles com certeza!

1. Piolla no Jardins


É uma pizzaria italiana que possui filiais em algumas cidades do Brasil, mas apenas a unidade do bairro Jardins possui um menu totalmente vegano. É um lugar muito bacana para encontros e comemorações com amigos ou família.


Menu vegano:


Como eu amo crosta de pizza, não pude deixar de pedir uma porção de crostinis com 4 tipos de molhos: azeitona, pesto, tomate e rúcula. Os crostinis são crocantes e vem com azeite, sal e orégano.


A pizza escolhida foi metade Varzi / Rossa:


O recheio das pizzas é feito com Mandiokejo e a massa não contém ovos ou leite.

O preço é um pouco salgado, que acredito se dever principalmente à qualidade das pizzas, localização e infraestrutura. Achei tudo uma delícia e tive bom atendimento!

Endereço: Alameda Lorena, 1765 – Jardins – São Paulo-SP
Site: www.piola.it
Facebook: www.facebook.com/piola.jardins
Telefones: (11) 3064 6570 / Delivery: (11) 3061–2221

Horário de funcionamento:
De domingo a quinta-feira das 18 à 1 hora
Sexta e sábado das 18 às 2 horas
Delivery: das 18 horas às 23h59

2. Casa Elli


É uma gelateria italiana phyna e super agradável com várias opções de sorvetes e sorbets veganos maravilhosos, sem derivados de leite.





Avelã e Chocolate 70% cacau, ambos sem leite 

Detox (abacaxi, couve, água de coco)

Os sorvetes são super cremosos e saborosos mesmo. O de chocolate 70% tem gosto bem forte. Já o de avelã é suave. A mistura dos dois ficou bastante interessante, algo como um sorvete de nutella sem o açúcar excessivo.

Infelizmente não aguentei experimentar o de pistache que também tinha opção vegana, mas fica para uma próxima. 

É importante frisar também que as frutas usadas são orgânicas.

Ah, e o atendimento é ótimo. A atendente soube me explicar direitinho quais eram os sorvetes veganos.

Endereço: Alameda Tietê, 163 - Jardim Paulista, São Paulo
Tel: (11) 3063-4741
Horário: Domingo à Quinta - Feira: 12.00 - 24.00 | Sexta - Feira e Sábado: 12.00 - 01.00

Além da Casa Elli e a sorveteria Soroko (mostrada no post anterior), existem outras gelaterias que oferecem sorvetes veganos: Stuzzi e Padaria Bella Buarque.

3. Panda Express


O Panda Vegetariano é um restaurante de comida asiática/brasileira self service totalmente vegano localizado no centro de São Paulo, próximo da estação Anhangabaú. Também tem a opção de buffet livre por R$26.

Como se pode ver pelo prato, tem comidas saudáveis e outras nem tanto (várias frituras!):


O sorvete a base de leite de soja é cortesia da casa! Esse é de milho verde, mas tinha opção de chocolate também.

Muito, muito bom!

Os funcionários são solícitos e simpáticos.

Endereço: Rua Líbero Badaró, 137 - 1º andar – Centro
Facebook: https://www.facebook.com/Pandavegetariano
Seg - Sex: 11:30 - 15:00
Tel: (11) 3106-1720

Outra opção no Centro/República é o restaurante Apfel (ovo-lacto-com-opções-veganas).

Para mais dicas de onde comer em São Paulo, não deixe de visitar o http://rotaveg.com/, um blog maravilhoso!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Produtos veganos que tenho usado no cabelo

Olá, gente! Desculpem a ausência de posts! :)


Eu não frequento muito salões de beleza (no máximo 1 vez a cada 6 meses para cortar), mas tento manter uma rotina de cuidados com o cabelo em casa, alternando shampoos, máscaras e óleos. Deixei de descolorir há 3 anos, quando ele era loiro muito claro. Hoje o meu cabelo está com a cor 80% natural, mas as pontas ainda estão descoloridas e com tintura. De vez em quando faço babyliss ou chapinha. A situação dele é: raiz oleosa e pontas ressecadas.

É importante lembrar que esses mesmos produtos, se fossem usados quando o meu cabelo era descolorido, não trariam resultados tão satisfatórios. Ou seja, eu iria precisar de produtos mais potentes e indicados para cabelos descoloridos/tingidos. Seguindo a lógica, assim que eu cortar a parte danificada, a tendência é ir diminuindo os produtos e simplificar os cuidados.

Estes são os produtos que eu tenho usado e dão certo para o meu cabelo. Todos eles são veganos, ou seja, não pertencem à marcas que testam em animais nem contém ingredientes de origem animal.

1. Shampoo e Condicionador - Moroccan Argan da Acure



Essa dupla possui a composição mais interessante que eu já encontrei e deu resultados incríveis e imediatos. O condicionador em mim funciona como uma máscara nutritiva. É extremamente emoliente e deixa a sensação de que derrete o cabelo. Eu nem preciso aguardar muito tempo com ele no cabelo para fazer efeito. Uns 3 minutinhos já são suficientes para o cabelo ficar super macio, maleável e brilhoso. Só pra constar, já estou no 3º tubo de condicionador.

A composição do condicionador leva ativos como o óleo de argan orgânico, CoQ10, óleo de Sea Buckthorn, óleo de semente de abóbora, manteiga de cacau, arginina, pantenol, além de vários extratos vegetais.
 
Ingredientes: Organic euterpe oleracea (acai) berry, organic rubus fruticosus (blackberry), organic rosa canina (rosehips), organic punica granatum (pomegranate), Organic Fair Trade Certified rooibos, cetearyl alcohol, behentrimonium chloride, stearylkonium chloride, vegetable glycerin, glucono delta lactone (fermented sugar), organic argania spinosa (argan) oil, cetearyl glucoside (from corn and glucose), guar hydroxypropyltrimonium chloride (guar gum conditioner), glyceryl stearate (vegetable-derived), l-arginine (amino acid), Organic Fair Trade theobroma cacao (cocoa) seed butter, sorbitan olivate (from olives + sugar), panthenol (pro-vitamin B5), cellulose (plant derived), d-alpha tocopherol acetate (natural vitamin E), lactic acid (vegetable derived), hippophae rhamnoides (sea buckthorn) seed oil, organic curcubita pepo (pumpkin) seed oil, ubiquinone (CoQ10), argania spinosa (argan) stem cells, glycerophosphoinositol lysine (from sunflower), prunus dulcis (almond) extract, cinnamomum aromaticum (cassia bark) oil.

Tanto o shampoo como o condicionador, por terem uma composição muito rica em nutrientes, são muito hidratantes e se eu usar todos os dias a raiz do cabelo fica um pouco oleosa e o comprimento fica sobrecarregado e muito resistente. Dessa forma, costumo usá-los no máximo 2 vezes por semana.

Tanto o shampoo quanto o condicionador possuem cheiro de óleo de amêndoas e cereja. Não é uma delícia, mas é agradável.

Eu compro através do iherb, que de tempos em tempos entra em promoção (20% off em todos os produtos de beleza, por exemplo). Quando compro o condicionador sozinho (para evitar taxas), o valor total fica em 4 ou 5 dólares + frete ($4.45) = 9 dólares.

"...música horrível dos anos 80 que você ouve quando não tem ninguém por perto"... Vontade de morar nesse rótulo! <3





2. Máscara - Fixação da Cor da Surya


Essa é uma máscara barata e acessível, mas muito boa. A composição é rica em extratos vegetais orgânicos, possui ingredientes emolientes e hidratantes, como aloe vera e manteiga de cupuaçu. Ela é bastante densa e também deixa a sensação de cabelo derretido com pouco produto. O cheiro de henna não é dos melhores, assim como os outros produtos da linha, mas não me incomoda.

O rótulo indica um tempo de 15 minutos para agir no  cabelo, mas eu deixo uns 5 minutinhos mesmo ("ain't nobody got time for that!"). Ou seja, ela faz a função de condicionador. Outra coisa que eu gosto de fazer é usar essa máscara como "base" para misturar outros produtos que o pessoal costuma chamar de "batizar" (no meu caso, uso condicionadores orgânicos que não desembaraçam direito o cabelo, óleos, ampolas da Vizcaya etc). E então eu deixo agir por mais tempo.

Eu comprei (e fiz estoque) na própria loja da Surya em São Paulo por 15 reais, mas é bastante fácil de encontrar em perfumarias e lojas virtuais como: Guia Vegano, Natue.

Ingredientes: Water, Cetearyl Alcohol, Behentrimonium Methosulfate, Cetrimonium Chloride, Sorbitol, Orbignya Oleifera Seed Oil, Lawsonia Inermis Leaf Extract, Arnica Montana Flower Extract, Phyllanthus Emblica Fruit Extract, Paullinia Cupana Fruit Extract, Genipa Americana Extract, Achillea Millefolium Extract, Malva Sylvestris Extract, Corylus Rostrata Seed Extract, Daucus Carota Sativa Root Extract, Euterpe Oleracea Fruit Extract, Ziziphus Joazeiro Bark Extract, Aloe Barbadensis Leaf Extract, Malpighia Punicifolia Fruit Extract, Bertholletia Excelsa Flower Extract, Chamomilla Recutita Extract, Dehydroacetic Acid, Benzyl Alcohol, Cananga Odorata Flower Oil, Citrus Limon Fruit Oil, Citrus Sinensis Peel Extract, Citrus Aurantium Amara Flower Oil, Theobroma Grandiflorum Seed Butter, Hydroxyethylcellulose, Hydrolyzed Rice Protein, Mauritia Flexuosa Fruit Oil, Tocopheryl Acetate, Citric Acid.



3. Shampoo Antirresíduos da Phytoervas


Este shampoo não é exatamente indicado para cabelos oleosos e eu não costumo usar com a função antirresíduos, mas gosto de como o cabelo fica limpo, macio e brilhoso. Ele possui extrato de linhaça, gérmen de trigo, quinoa e lima da pérsia.

O cheiro é gostosinho, mas não fixa muito no cabelo. Quem gosta de usar shampoos antirresíduos mas tem medo de que o shampoo resseque o cabelo, esta é uma excelente opção, já que ele não resseca e nem contém sal e sulfato. E mesmo sem o sulfato, ele faz bastante espuma. Tenho usado 1 a 2 vezes por semana, mas acredito que ele pode ser usado com mais frequência, já que ele não agride o couro cabeludo como um produto antirresíduos normalmente age.

Esse shampoo é também super acessível e eu encontro em perfumarias por cerca 12-15 reais. Tem a venda em farmácias como a Onofre e Pacheco.

Quem possui cabelo muito oleoso, o shampoo anti-caspa da Phytoervas é interessante (ele contém extrato de alecrim, menta e juazeiro).

Agora os shampoos da Phytoervas estão vindo com o rótulo: "Fórmula livre de ingredientes de origem animal".


4. Máscara Pós Progressiva da Bio Extratus


Eu já escrevi a resenha dela aqui, mas resumindo:

É uma máscara nutritiva que contém queratina vegetal proveniente de 4 tipos de proteínas: trigo, milho, soja e arroz. Outro ingrediente importante que também faz ela ser rica é o Polyquartenium. Além deles, ela possui ativos como: óleos de argan, palma e cártamo, manteiga de karité e glicerídeos da soja.

No meu cabelo eu sinto uma reconstrução considerável e resultados muito satisfatórios, mas dependendo do estado do cabelo, ela pode atuar apenas como hidratação.


Eu paguei cerca de 17 reais por 250 ml em uma farmácia, mas pelo menos aqui em BH, é super fácil de encontrar.


5. Leave in da Zerran e Shampoo de lavanda da Herbia



Falei sobre a Zerran nesse post e o shampoo da Herbia neste.  O shampoo da Herbia é maravilhoso e o Serum Leave-in da Zerran é puro amor! Infelizmente eles não são muito acessíveis (o da Zerran só encontro no Rio) e por isso uso poucas vezes por mês.

Sinto que revezar produtos em ciclos é mais produtivo que usar um produto x até acabar.

6. Óleo reparador de pontas da Surya


É uma mistura de óleos vegetais orgânicos puros (argan, macadâmia, pracaxi e buriti) e o diferencial é o perfume viciante/hipnotizante dessa linha "Sapien". 

Eu gosto de usar uma borrifadinha de nada no cabelo molhado ou quando o cabelo está ressecado nas pontas porque se passar demais ele tende a deixar o cabelo oleoso. Mas se usado na medida certa, o cabelo fica brilhante e sedoso. 

Ingredientes: *Macadamia Integrifolia Seed Oil*, Coconut Alkanes Coco-caprilate Caprate, Methylheptyl Isostearate, * Penthaclethra Macroloba Seed Oil*, Argania Spinosa (Argan) Kernel Oil, Fragrance, *Mauritia Flexuosoa Fruit Oil,Tocopherol

Comprei na loja da Surya por cerca de R$50. Quem não é muito ligada em perfume e não quer gastar tanto, tenho um post com receita fácil de reparador de pontas/anti frizz que funciona da mesma forma.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Respostas para as perguntas mais frequentes recebidas no blog

Devido à frequência com que venho recebendo e-mails sobre tópicos similares, achei que seria interessante fazer um post abordando essas questões na forma de um FAQ. Acredito que essas são dúvidas comuns de quem está iniciando no veganismo/vegetarianismo e as respostas podem ser úteis para ajudar a esclarecer alguns dilemas do veganismo:


1. Como você lida com a questão dos remédios, vacinas e anticoncepcionais dentro da ética do veganismo? 



Antes de começar a responder, gostaria de deixar a definição de veganismo de acordo com a The Vegan Society: "o veganismo é um modo de vida que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e de crueldade para com os animais, como comida, roupa ou qualquer outra finalidade".

Na maioria dos países os medicamentos tem de passar por testes de segurança antes de poderem ser comercializados e esses testes são realizados em animais. No Brasil a Avisa exige que todos os remédios, inclusive os fitoterápicos, sejam submetidos a testes em animais. Dessa forma, nenhum remédio é vegano. Mesmo se você encontrar uma pílula anticoncepcional que não contenha gelatina ou lactose, elas terão sido testadas em animais. A legislação atual exige. Se você precisa tomar remédios alopáticos, não existe atualmente nenhuma alternativa prática para tomar estes medicamentos de forma livre de crueldade. 

No entanto, é importante lembrar que não é porque hoje não existem remédios veganos que eles nunca existirão. Existem pesquisas em andamento para substituir os métodos in vivo por aqueles que não usam animais. Enquanto não houver alternativas, não é possível para nós veganos fugirmos dos remédios. Algumas vezes na vida, teremos que usar antibióticos, antialérgicos, analgésicos etc. Mas não é porque abrimos uma exceção, que somos hipócritas ou, já que não somos 100% veganos o tempo todo, o correto seria abandonarmos o veganismo. Fazemos o máximo que podemos para minimizar o nosso impacto na vida dos animais. Não vivemos em uma sociedade vegana ainda.

Eu não me sinto confortável financiando a indústria farmacêutica, mas não é porque sou contra testes em animais, que nunca tomarei remédios e nem direi às pessoas que façam isso. Há certas situações em que não temos como fugir. Enquanto não existir alternativa de remédios não testados, a única solução que nos resta é usar os testados. Fazemos o que está ao nosso alcance: já existem cosméticos, alimentos, produtos de limpeza e higiene não testados em animais e é nossa obrigação ética boicotar as marcas que ainda testam. Com os remédios ainda não temos opções e se precisamos deles para melhorar nossa saúde ou nossa qualidade de vida, não dá para fugir.

Em termos práticos, nas situações menos graves é possível conversar com o médico e solicitar alternativas, como os remédios manipulados em cápsulas vegetais, uso de ervas medicinais etc.

O dilema das vacinas também se encontra na mesma situação: as vacinas contém ingredientes de origem animal como derivados bovinos (células, gelatina) e clara de ovo, além de serem testadas à exaustão em animais. Mas se não nos vacinarmos, corremos o risco de ter algum tipo de paralisia, sarampo, coqueluche etc. Nesse caso, assim como o uso de remédios, nossa saúde entra em jogo e também não existem formas veganas de nos prevenirmos dessas doenças.

O uso do anticoncepcional para mim é bastante similar ao dos remédios: é questão de saúde e não cabe a mim opinar sobre a escolha de cada um. Existem métodos veganos de contraceptivos como algumas camisinhas, mas não podemos negar que as pílulas são mais eficazes e melhoram a vida de muitas mulheres em vários aspectos, principalmente as que possuem problemas nos ovários e as que não querem correr o risco de engravidar.

Sobre a pergunta: "Mas não é hipocrisia defender o veganismo e tomar remédios testados em animais?" Seguindo essa lógica, se você é contra a exploração humana e compra produtos eletrônicos provenientes de trabalho escravo de países asiáticos, está sendo hipócrita também. Tanto na situação dos remédios como na escolha da origem dos nossos produtos eletrônicos, a escolha foge do nosso controle. Não há outra opção. Portanto não tem nada de hipocrisia em nenhuma das situações. Hipocrisia seria se houvesse uma opção vegana e eu tivesse optado pela não vegana, mas não é o caso.

Posso resumir a situação da seguinte forma: se há alternativa vegana, temos a obrigação ética de só consumir esses produtos. É assim com alimentação, vestuário, opções de entretenimento, etc. Se não há opção vegana e o produto é indispensável, como vacinas e remédios, não nos resta outra alternativa a não ser consumi-los, mas lutando para que tais produtos passem a ser produzidos sem exploração animal.

Recomendação de leitura:



2. "Os ingredientes X, Y ou Z são considerados tóxicos para o organismo. Logo, esse produto não tem nada de vegano..." ou "Você sabe me dizer uma marca de batom que não contenha chumbo"?



Apesar de preferir consumir e usar produtos orgânicos e os considerados naturais por questões ambientais, eu não sou ortodoxa. Contanto que um produto seja vegano, ou seja, não pertença à uma marca que testa em animais, nem contenha ingredientes de origem animal, não vejo razões para boicotá-lo nem deixar de divulgá-lo no blog, caso eu perceba resultados positivos em mim. O mundo dos cosméticos e maquiagens veganas no Brasil ainda está engatinhando e o preço dos cosméticos orgânicos e naturais ainda não contempla o bolso de boa parte da população brasileira. Por isso não gosto de colocar milhares de empecilhos no uso de determinados cosméticos considerados veganos.

Há também controvérsias a respeito da suposta toxicidade dos cosméticos da forma como é divulgada. Posso mudar de ideia e ainda não fiz uma pesquisa a fundo, mas não acredito que usar um condicionador ou um blush com parabenos irá causar algum prejuízo à minha saúde no futuro. Aliás, se preocupar excessivamente com isso deve prejudicar mais nossa saúde. Nem tudo que é sintético é necessariamente ruim e nem tudo que é natural é necessariamente bom. Aliás, essa associação "natural-saudável, artificial-ruim" é bastante frequente, mas não há nenhum respaldo científico nessa afirmação. Cada um é livre para escolher usar produtos no próprio corpo, sendo ele "tóxico" à saúde ou não. O que não deveríamos é causar prejuízos a terceiros, ou seja, incentivar empresas que machucam animais no desenvolvimento de cosméticos.

Este excelente texto explica bem o que eu penso sobre esse assunto: "Porque spams de chumbo em batons nunca morrerão". Pesquisem sempre em fontes confiáveis como revistas científicas e especialistas.

Conclusão: Veganismo não é busca por saúde. Veganismo é uma postura ética em relação aos animais. E veganismo não é "naturebismo" (lembrando que eu não tenho nada contra quem é "natureba"). Batata frita, coxinha de jaca frita etc não são consideradas saudáveis mas não deixam de ser veganas.

3. Qual ração você recomenda para gatos?


Antes de mostrar as opções de rações para gatos, é importante lembrar que tanto gatos como cães foram domesticados há milênios. Eles foram retirados por nós de seu habitat natural, eram originalmente lobos (no caso dos cães) mas foram modificados geneticamente para atender padrões estéticos humanos e foram trazidos para centros urbanos, onde não conseguem sobreviver sozinhos na rua. Depois disso tudo, não dá para simplesmente abandonar um Pug na rua ou um gato persa no meio da floresta, mandar eles se virarem sozinhos e, quando eles não conseguirem e começarem a ter problemas (o que ocorrerá em 100% das vezes),  alegar "ah, mas é apenas a natureza agindo, seleção natural, não temos nenhuma obrigação moral com esses animais!". Dessa forma, temos a obrigação de salvar esses animais. Eles estão aqui por nossa causa e são 100% dependentes de nós. Não podemos mais "lavar as mãos" e deixá-los à própria sorte.

É por essa razão que não faz sentido falar sobre a "natureza" dos gatos. O termo é muito vago. Além disso, já impomos aos gatos uma vida não natural: viver em apartamentos telados/casas muradas cercadas por ruas e carros, comer ração, dar banho, remédios e vacinas etc. Fazer questão de dar uma alimentação "natural" aos gatos alegando "mas eles são naturalmente carnívoros!" enquanto nada mais neles é natural (vida, ambiente, genética, etc), não faz nenhum sentido. Além disso, a busca pela "alimentação natural" é irrelevante, já que o que importa para a saúde é a aborção dos nutrientes essenciais. De onde esses nutrientes vem (alimento natural ou artificial) pouco importa, contanto que venham.

Infelizmente ainda não existe uma ração vegetariana/vegana para gatos no Brasil - no dia que alguma ração vegana para gatos for lançada por aqui, pretendo ser uma das primeiras a comprar. Já existem várias marcas na Europa e Estados Unidos, porém a importação de ração é inviável. Nesse caso, hoje eu tento escolher a "menos pior". E por menos pior, leia-se: não pertence à uma empresa que testa em animais e não contém derivados de mamíferos. A minha recusa em comprar derivados de mamíferos não é especismo. Já que eu tenho que fazer uma escolha, eu prefiro evitar dar carne de vaca e porco e escolher as que contém somente peixe e frango. Não digo que a vida de peixes ou frangos não importe. Importam sim, e muito, afinal todos eles são sencientes, logo são merecedores de tratamento ético. No entanto, se eu tiver obrigatoriamente de escolher entre salvar um gato, um porco (indivíduo altamente inteligente) e um peixe (bem menos inteligente), fico com o porco, afinal a capacidade de sofrimento está ligada à inteligência do animal. Quanto mais inteligente, maior a percepção de si e do mundo, logo maior a capacidade de sofrimento. Sim, todos são sencientes, mas o senciente mais inteligente sofre mais do que o senciente menos inteligente.

Infelizmente, em relação a gatos, estamos nesse dilema. Temos a obrigação moral de ajudá-los, já que fomos nós que os colocamos nessa situação. No entanto, não há ração vegana no Brasil. Até que haja ração vegana no Brasil, me vejo obrigada a adotar a lógica do "least harm", ou seja, causar o menor dano possível dentro das circunstâncias. E comprar uma ração apenas com peixe para salvar gatos e não prejudicar porcos e bois me parece ser a saída menos danosa no momento.

A Royal Canin, a Whiskas, Eukanuba e outras testam em animais (fonte). Segundo o site do PEA, a Guabi não realiza testes e ela detém as seguintes empresas: Biriba, Faro, Fiel, Herói, Natural, Sabor e Vida / Cat Meal, Natural, Top Cat, Limpi Cat.