Dilema: Marcas Cruelty Free que Pertencem à Empresas que Testam em Animais


Este é um assunto polêmico e eu sempre me pego pensando se deveria apoiar marcas livres de crueldade pertencentes a uma empresa-mãe que testa em animais ou boicotá-las.


O objetivo do veganismo é escolher e incentivar o estilo de vida de forma mais ética, prática e viável possível. Dessa forma, boicotar todas as marcas cruelty free de uma empresa que testa animais não é uma prática tão viável em alguns casos. Para aqueles que vivem em áreas remotas e, infelizmente, não possuem uma variedade de marcas que não testam para fazer compras, não é muito razoável sugerir que não compre nada até que as marcas livres de crueldade estejam disponíveis na cidade.

Prefiro ver alguém comprando produtos da NYX, Urban Decay, BareMinerals e Granado/Phebo, apesar de pertencerem à L'Oreal e à Puig, por exemplo, do que comprar de marcas que admitem testar em animais como Maybelline, MAC, Dove ou Neutrogena.


Quando se trata de produtos alimentícios, a situação ainda é mais complicada. Algumas poucas holdings que testam em animais detém uma quantidade enorme de empresas, como é o caso da Mãe Terra, que recentemente foi vendida para a Unilever e a Yoki que pertence a outra empresa envolvida em testes de animais.



Ao mesmo tempo, existem várias marcas veganas/cruelty free incríveis que são de propriedade independente e que produzem produtos de qualidade e acessíveis. Portanto, dada a opção, realmente não há necessidade de financiar marcas que estão afiliadas a uma empresa que testa.

Não existe um "certo" ou "errado" e, como consumidores, temos a liberdade de comprar de qualquer marca que desejamos, mas acho que é igualmente importante familiarizarmos com algumas das marcas e saber quem estamos financiando.

Antes de decidir de qual lado você está, aqui estão alguns pontos a considerar, prós e contras de apoiar marcas livres de crueldade pertencentes a uma empresa-mãe que testa em animais.

Motivos para apoiar:


1. As empresas não testam em animais. Continuam cruety free.

Algumas dessas marcas ainda estão altamente comprometidas com a política de não testar em animais, apesar de terem sido adquiridas por uma empresa-mãe que testa animais. Algumas marcas até mantiveram sua certificação junto à PETA/Leaping Bunny, o que significa que eles devem atender a um conjunto de padrões e mostrar a prova de documentos de que eles não testam em animais em qualquer lugar em sua cadeia de fornecedores. A Mãe Terra e a Granado, por exemplo, continuam não testando em animais, mesmo pertencendo a empresas que testam.

2. Envia uma mensagem para a empresa-mãe.

Alguns acreditam que, se a empresa-mãe pode perceber de primeira mão que há uma demanda crescente por produtos cruelty free e que pode ser mais lucrativo, então elas podem considerar parar de testar em animais e parar de vender na China, onde os testes em animais são obrigatórios.

3. Aumenta a acessibilidade de empresas cruelty free.

Uma vez que a Unilever, L'Orèal e Puig são mega empresas, a acessibilidade de produtos oferecidos por elas é maior, assim como uma maior disponibilidade de produtos em cidades pequenas. Geralmente essas grandes empresas tendem a praticar um menor preço, já que o grande volume vendas permite e com isso facilitam a compra de produtos veganos. 


4. Não vivemos em uma sociedade vegana. 

Se ainda não dispomos de empresas 100% veganas acessível para todos, não é razoável boicotar produtos veganos que pertencem à empresa-mãe que testa, enquanto continua comprando em supermercados e feiras que vendem carnes ou de marcas que produzem outros produtos com insumos de origem animal.

Segundo a explicação da Mercy For Animals Brasil:

"Por mais que alguns veganos rejeitem empresas que testam em animais para alguns ou diversos de seus produtos, simplesmente não se pode condenar qualquer vegano por consumir um produto vegetariano estrito que não depende de qualquer teste em animais para a sua produção.
Segundo todas as definições de veganismo disponíveis, o consumo de produtos vegetarianos estritos que não dependem de testes em animais é aceito mesmo que a empresa por trás do produto pratique ou apoie exploração animal para outros produtos e atividades, qualquer que seja a finalidade."

E o comentário do ativista Gary Francione sobre o boicote de empresas que testam:
"Não é diferente de dizer que um pacote de brócolis congelados não é vegano porque é feito por uma empresa que também fabrica produtos de carne / produtos lácteos / ovos. Não é diferente de dizer que os vegetais que você acabou de comprar no mercado agrícola não são veganos porque o fazendeiro não é um vegano e usará o dinheiro que você pagou para comprar produtos de animais que ele consumirá. Não há diferença entre testes em animais e qualquer outra forma de exploração animal. É moralmente injustificável. Mas não é relevante se um produto contém animais ou ingredientes de animais. E essa é a única coisa que determina se um produto particular é adequado para um vegano comer."


Motivos para boicotar:



1. Nosso dinheiro apoia financeiramente a empresa-mãe.

Ao comprar essas marcas cruelty free, o dinheiro da nossa compra está essencialmente entrando nos bolsos de sua empresa-mãe e a apoiando financeiramente.

2. Estamos indiretamente financiando testes em animais.

Quando se compra de uma empresa (livre de crueldade ou não), não há controle sobre como e onde eles gastam esse dinheiro, que pode voltar para financiar mais testes em animais!


3. Apoie marcas veganas independentes.

Algumas dessas empresas gigantes tem uma quantidade absurda de recursos e orçamentos de marketing e eles vão se esforçar com ou sem o nosso apoio. Ao invés disso, devemos realmente dar nosso dinheiro para marcas livres de crueldade independentes que precisam do nosso suporte para sobreviver e crescer.


4. Eles são vendidos!

Algumas pessoas acreditam que essas marcas livres de crueldade estão cegas por dinheiro e que se eles realmente se preocupam com os animais como originalmente alegavam, então eles não deveriam ter aceitado uma oferta a ser comprada por uma empresa que está fazendo algo que eles não concordam. O sentimento é quase de traição.



Para finalizar, a decisão é sua. É importante citar aqui que precisamos ser mais compreensivos uns com os outros quando se trata de escolhas pessoais. Não há absolutamente nenhuma necessidade de criticar negativamente ou chamar de "vendido" ou "acomodado" alguém que está conscientemente tentando fazer melhores escolhas para salvar vidas de animais. Não vamos esquecer que estamos no mesmo lado da luta. 


Fonte da Imagem 

2 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo. Bem escrito, claro, equilibrado e, o mais importante, agregador. Com toda a "onda" de classificações e separações em nichos cada vez menores, estamos nos esquecendo que unidos somos mais fortes e estamos do mesmo lado. Mais um belo artigo necessário. Obrigada.

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  2. Esse é mais um texto seu que eu só queria dizer "obrigada <3". O fogo amigo vegano mais atrapalha que ajuda, isso é fato.
    Sempre que eu posso, eu evito marcas de empresas-mãe que testam, mas não é sempre que dá e não me considero menos vegana por isso. O burado da realidade de cada um é bem mais embaixo do que a galera faz parecer na internet. Eu entendo o sentimento de revolta de alguns veganos, mas não podemos usar isso contra quem está do mesmo lado (mesmo que com uma posição um pouco diferente) que a gente.

    Beijos!

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