Couro, Couro Sintético e Couro Ecológico



Como todos sabem, o couro é a pele de um animal tratada quimicamente. Apesar de ser um material forte e resistente há questões éticas e ambientais envolvidas no uso do couro, como a matança de animais e a poluição causada pelos resíduos químicos usados para tratar o couro (muitas vezes eles são nocivos ao meio ambiente).

Antigamente o couro tinha como finalidade proteger contra o frio. Hoje o couro legítimo é tido como uma matéria prima de boa qualidade, durabilidade e por isso, é considerado um produto nobre. As pessoas compram produtos feitos de couro por um motivo "nobre", por acreditarem indubitavelmente serem de melhor qualidade. Além de tudo, muitas pessoas pensam que se o animal foi morto de qualquer forma para que sua carne fosse consumida, que seu couro também fosse aproveitado.

No entanto, cerca de 20% do preço de um bovino se deve ao couro. Ou seja, apesar de ser considerado um subproduto, o couro rende bastante aos pecuaristas. Não adianta dizer "ah, mas isso é subproduto daquilo, então vou comprar". Se for assim, vegetarianos poderiam comprar salsicha e mortadela, que são subprodutos da indústria da carne. Ninguém mata o boi pra pegar os testículos, o cérebro e os ossos. Isso é o resto, o subproduto. O objetivo ao se matar um boi é pegar a picanha, o filé mignon... salsicha é subproduto, então não há problema em comer? Picanha maturada custa R$50/kg (ou mais), salsicha de miúdos custa, sei lá, R$3,50/kg. Se o produto principal não justifica, o subproduto também não.

A cada vez que damos dinheiro a pecuaristas e pessoas que lucram explorando animais, estamos incentivando e patrocinando esse ciclo de que animais devem ser considerados matéria-prima. O problema está em relacionar um animal senciente a um produto. Produtos de origem animal são anti-éticos e não há salvação quanto a isso. Se não usamos cadáveres de pessoas e cães alegando argumentos de sustentabilidade ("já que vai pro lixo mesmo...", por que usar o couro de outros animais deveria ser correto?

Pense que a carne pode ser subproduto do couro! Há um documentário produzido pela PETA sobre bovinos na Índia sendo criados especialmente para virarem couro de grifes famosas. Esses bovinos eram muito maltratados porque não podiam ter nenhum arranhãozinho para não atrapalhar o couro, por isso ficavam confinados durante TODA uma vida. É ilusão achar que todos na Índia respeitam as vacas. Também pudera, tem marca que cobra US$2000 dólares por uma bolsa! Não existe picanha que seja mais lucrativa que essas bolsas e sapatos de grife. Mesmo as marcas brasileiras, algumas vendem sapatos acima de 500 reais. Se colocarmos na balança, produzir sapatos pode ser mais lucrativo que carne, então quem é subproduto de quem? Recomendo a leitura: http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2008/aug/27/ethicalfashion.leather

Quanto à questão ambiental, o processo de fabricação do couro consiste em transformar peles descartadas pelos frigoríficos em “tecido” para roupas, móveis e outros itens. Neste processo, toneladas de litros de agentes químicos e corrosivos são utilizados - são mais de 90 produtos usados na indústria do couro (como o Cromo III) e, quase sempre, vão parar no meio ambiente sem qualquer cuidado com o descarte, muitas vezes depositado em aterros sanitários, esse material com potencial tóxico se decompõe e contamina o meio ambiente. Tem muito curtume descumprindo as regras e lançando os restos tóxicos diretamente no curso d’água. Isso sem o contar impacto ambiental, a cadeia produtiva como um todo, e não apenas o produto final. Tem que colocar na balança o combustível do transporte, as florestas desmatadas para pasto, a quantidade de água potável usada e a poluição toda gerada durante o processo.

Como o couro sintético evoluiu muito ao longo dos últimos anos, ele praticamente perdeu aquela característica de material de plástico, como era no passado. Quando se fala em sintético ainda existem consumidores que tem ideia de que é um material de plástico e pouco resistente. Felizmente o avanço da tecnologia proporcionou o desenvolvimento de materiais alternativos equivalentes ao couro natural bovino, possuindo em alguns deles, vantagens em relação ao couro. Não tem mais essa de que couro sintético é necessariamente sinônimo de porcaria. 

Dentre os materiais alternativos, o couro sintético pode ser feito de:

- O polietileno tereftalato, conhecido pela sigla PET, é uma resina de polímero termoplástico da família do poliéster e é usado em fibras artificiais. Como é um produto que pode ser reciclado mais de uma vez é, sem dúvida, uma opção mais ecológica do que o couro. O poliéster é usado em vários produtos como roupa de cama, almofadas, tapetes, entre outros.

- O poliuretano, com a sigla PU, tem sido amplamente usado em bolsas, jaquetas, sapatos, tênis etc por seu custo ser baixo. Oferece melhor aparência nas texturas (mais semelhante ao couro natural) e excelente qualidade. São muito resistentes ao ressecamento mantendo-se macio e agradável por muito tempo. São mais fáceis de serem tingidas. O descarte no ambiente pode ser prejudicial à natureza.

- Látex, um tipo de couro vegetal obtido através do látex da Amazônia. Ele começou a ser produzido a partir de projetos sociais de sustentabilidade. Começaram então a produzir pastas, bolsas e sapatos a partir desse material que se parece com o couro e possui ótima qualidade.

- PVC, Nylon etc.

O termo "couro ecológico" é usado muitas vezes erroneamente. A diferença entre o couro ecológico e o couro bovino, está no processo de curtimento: em vez de se usar metais pesados, em especial o cromo, para o couro ecológico são utilizadas substâncias alternativas, como os taninos vegetais. Portanto, o couro ecológico é um couro animal cujo curtimento é isento de aditivos poluentes ao meio ambiente e nocivos ao ser humano. Por conta disso, seu custo, como é de se imaginar, é maior do que o couro tradicional e não deixa de ser anti-ético.

Sim, a indústria de polímeros também é poluente. Couro sintético feito de polímeros não é o mocinho do ponto de vista ambiental, mas é o mocinho do ponto de vista ético. Em relação às questões ambientais, nós não sabemos ainda a real dimensão dos estragos que cada um causa, por isso é difícil fazer uma comparação quantitativa. De qualquer forma, quando a ética entra em conflito com questões ambientais, a ética prevalece. Se não matamos idosos ou cães de rua, não o fazemos unicamente por questões éticas. O correto, do ponto de vista ambiental, seria matá-los, já que gastam muitos recursos e não deixam de poluir.

Quanto ao couro de peixe, a ciência nos mostra que os peixes são tão sensíveis e inteligentes como mamíferos. Peixes sentem dor e a pesca comercial tem ainda menos proteção do bem estar do que o abate de mamíferos. Eles são asfixiados muito lentamente e alguns pescadores ainda podem utilizar carne de botos ou outros animais como isca. Os peixes têm fortes conexões sociais e possuem vínculo com seus semelhantes. Para alguns, esse tipo de couro pode servir como uma intenção de encontrar alternativas para a indústria que é altamente prejudicial ao meio ambiente. Penso que deveríamos tentar modificar nossas atitudes rumo à uma sociedade cujo consumo e desejos não tem prioridade sobre o bem-estar e o direito dos animais.

Dessa forma, a dica para quem deseja consumir produtos sem couro é: leia sempre as etiquetas que constam a composição, mande e-mails aos SACs das empresas e questione a procedência do material. Dificilmente teremos certeza de que um material é totalmente sintético só de olhar ou perguntando para o vendedor, que geralmente não sabe responder.

Obs: Em inglês alguns dos termos usados para designar material sintético são: "All man made materials", Synthetic, PU, Faux Leather, Fake Leather etc.


Cito abaixo algumas marcas brasileiras que trabalham apenas com material sintético, ou seja, não utilizam couro de animal em seus produtos:


- Azaleia (sapatos)

- Ahimsa (calçados, bolsas e carteiras)

- Bebecê (sapatos)

- Beira Rio (sapatos) 

- Betty Boop (bolsas)

- Canna (bolsas e acessórios)

- Chenson (bolsas)

- Crysalis (sapatos)

- Di Cristalli (sapatos)

- Eco Vegan's (bolsas e sapatos)

- Firezzi (sapatos)

- Insecta (calçados)

- Ibizza (sapatos)

- King55 (roupas, cintos bolsas e sapatos)

- La Loba (bolsas)

- Luciana Gimenez (sapatos e bolsas)

- Melissa (sapatos) -
atualização: apesar de não usar couro, pertence à Grendene, empresa de pecuaristas.

- Miucha (sapatos)

- Moleca (sapatos)

- Natureza (bolsas e sapatos)

- Nômade (somente as linhas Titã, Azimut Pro e X-Pro de botas)

- Petite Jolie (sapatos)

- Picadilly (sapatos)

- Pucca (bolsas)

- Puro no Brasil (bolsas e calçados)

- Queens (bolsas)

- Santi Martin (bolsas e acessórios)

- Será o Benedito (bolsas, sapatos e acessórios)

- Vegano Shoes (calçados e acessórios femininos e masculinos) 

- Vizzano (sapatos)

38 comentários:

  1. Oi Eliana!

    Adorei o post. Ficou tudo bem explicadinho e não tem fotos de bichinhos sofrendo.
    Infelizmente o nylon nem sempre é de origem vegetal.
    O Nylon 6 que é feito do Ácido caproico que é de gordura animal, e o Nylon 9 que é feito do ácido oléico que é feito da mistura de gordura animal com algum óleo vegetal. Só o Nylon 6,6 que é feito sem ingredientes de origem animal, feito do ácido adípico! É muito difícil saber qual nylon a empresa utiliza, já que não vem especificado nos produtos e muitas vezes nem eles sabem qual é. Então eu nem compro coisinhas que tem nylon, acho mais garantido.

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    1. Olá Vivi,
      O nylon pode ser obtido de outras formas sem utilização de animais e isso é o que importa. Infelizmente é impossível rastrear a cadeia de síntese de tudo. Provavelmente vamos descobrir outros materiais sintetizados com subproduto de animal.
      Respeito sua opinião, mas a minha opinião é que boicotar nylon por esse motivo é muito complicado e acaba se tornando uma paranoia desnecessária do ponto de vista dos animais. Acaba perdendo o foco e espantando as pessoas do veganismo. Milhões de coisas são feitas de nylon, desde peças de engenharia (usadas em carros, máquinas, cordas), até as cerdas da escova de dente e linhas cirúrgicas.

      Acho que é como o biocombustível, que pode ser feito de gordura animal ou vegetal, mas não temos como boicotá-lo (e se tivéssemos, o esforço não seria muito útil para os animais).

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  2. Oi Eliana!

    É uma questão complicada mesmo. É impossível ser 100% vegan, mas cada um faz o que está ao seu alcance para chegar o mais próximo disso.
    Não dá para boicotar tudo, usamos carros, as máquinas produzem nossas coisas e tal. Mas eu procuro evitar o uso do nylon sempre que possível. Quando tenho alternativas, priorizo o que não tem nylon.

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  3. Oi Eliana, bom dia!

    Dentre as marcas citadas acima, você sabe dizer quais delas comercializam apenas produtos veganos, além da Picadilly? Isso facilitaria muito a compra. Tenho muita dificuldade de identificar se o couro é ou não natural, sem falar na questão da cola... Você tem essa informação já a mão? Se sim, poderia, por exemplo, colocar um asterisco ao lado das empresas que são declaradamente vegans?

    Obrigadx, abraço!

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    1. Olá James,

      Todas as marcas citadas acima trabalham apenas com couro sintético, ou seja, não usam couro animal na confecção dos produtos. Infelizmente não sei te dizer quanto à cola utilizada por cada empresa. O que vc pode fazer é enviar um e-mail para o SAC da empresa e perguntar se a cola é ou não derivada de ossos de animais.

      Neste site tem mais informações sobre calçados masculinos sintéticos: http://vista-se.com.br/redesocial/sapatos-veganos-masculinos/

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  4. Oi! olha esse link:
    http://www.carnelegal.mpf.gov.br/carne/os-subprodutos-do-boi

    Alguns subprodutos do boi:
    Na indústria alimentícia, é usada para fabricar maria-mole, chiclete, suspiros, recheios, coberturas, iogurtes, sorvetes, cremes, manteigas, adoçantes, produtos dietéticos, e para clarificar vinho, cerveja e suco de frutas.

    Na indústria farmacêutica, é empregada em cápsulas duras ou moles, comprimidos, drágeas, emulsões, óleos e esponjas medicinais.

    Também é utilizada para produzir gelatina fotográfica, usada em filmes radiológicos e de artes gráficas, e em papéis fotográficos.

    A cauda e os pelos do boi são aproveitados para fazer escovas para enceradeiras, para armas de fogo e para lavagem de garrafas, além de vassouras de pelo, pincéis, brochas de pintura, luvas de boxe, joias, próteses, filtros de ar e de óleo e combustível.

    O sebo é aproveitado no curtimento de couros e para fazer sabonete, sabão, detergente, xampu, cosméticos, tintas, explosivos, pneus, lápis e velas. O Mocotó é usado para fazer óleo e graxas para sapatos e máquinas.

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    1. + essas: (no mesmo link)
      Da bílis expelida pelo fígado bovino, a indústria farmacêutica faz remédios digestivos, pomadas para contusões e reagentes para pesquisas. A bílis também é usada na fermentação de cervejas.

      Os miúdos são empregados em medicamentos, substâncias hormonais, cosméticos e reagentes para pesquisa. Das mucosas e glândulas, a indústria de laticínios fabrica o coalho e a indústria farmacêutica produz anti-inflamatórios; insulina; hormônios da reprodução, do crescimento (somatotrofina bovina), da tireóide (tiroxina); enzimas digestivas; histamina; heparina; imunoestimulantes; glucagon; oxitocina; neurotransmissores e cerebrosídeos.

      Acho sim, que o couro é o menor dos problemas... é um SUBPRODUTO, com toda a certeza... o principal ainda é o consumo da carne.

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    2. Prezada,

      Não confunda um produto usar ingrediente de origem animal com todos os produtos terem que necessariamente ser feitos com ingredientes de origem animal. Não é porque um sabão é feito de sebo que não existam sabões feitos de óleos vegetais.

      Creio que vc não sabe muito bem o que é o veganismo e seria legal vc dar uma lida nos meus posts anteriores e em outros blogs sobre veganismo. A idéia do veganismo é justamente acabar com o uso de ingredientes de origem animal na indústria. O boicote visa mudar a postura das empresas para o uso somente de matéria prima vegetal e sintética.

      Pouco importa se o couro é ou não subproduto. Como animais não são produtos ou subprodutos, pretendemos acabar com as indústrias que usam animais como produtos ou como subprodutos! Pouco importa se é produto direto ou não. Usou animal? Ou acaba, ou adapta para um ingrediente veg. Simples assim, por isso a discussão se é produto ou subproduto é irrelevante. Seja como for, tem de acabar. Os que já tem substitutos, devemos usar os vegs. Os que não tem substitutos, vamos lutar pra que tenham! A idéia não é dizer "ahhhh, esse produto aqui não tem opção veg! Fudeu. Cancela o veganismo e me vê uma sauxixa". A idéia é: tem opção veg? Ótimo, vamos lutar pra que continue assim. Nâo tem? Vamos lutar pra que tenha.

      Um ou outro produto sem opção veg, como remédios, não invalida em hipótese alguma o veganismo, afinal o fato de não ter opção veg hoje não significa que nunca terá, daí a nossa luta. Financiar pecuaristas e abatedouros não é uma opção válida para quem defende a abolição do uso de animais como matéria prima. Mas recomendo ler ou reler o que eu escrevi sobre o couro no meu post acima, principalmente a parte onde fala: "cerca de 20% do preço de um bovino se deve ao couro" e também a parte: "...documentário sobre bovinos na Índia sendo criados especialmente para virar couro de grifes famosas. Esses bovinos eram mega maltratados, porque não podiam ter nenhum arranhãozinho para não atrapalhar o couro, por isso ficavam confinados..." explicando que o couro pode ser um subproduto, mas pode ser também o produto principal, visto que o lucro obtido na venda de sapatos pode ultrapassar o lucro obtido pela venda de picanhas. Há bovinos criados especialmente para se tornar couro de sapato e bolsa, ou seja, nem sempre o couro é subproduto. Além disso, animais não são produtos nem ingredientes. São seres sencientes que merecem respeito. Não justifica usar o couro enquanto há milhares de alternativas por aí.

      Quanto aos subprodutos, para cada item que vc citou, eu te mostro pelo menos 2 alternativas vegetais/sintéticas. Apesar de essa informação que vc passou ter sido correta há algumas décadas atrás, ela não é aplicada nos dias atuais. Tem muita informação ultrapassada que precisa ser atualizada. A tecnologia avançou muito desde então. A tendência das indústrias é substituir os produtos de origem animal pelos vegetais e sintéticos. A qualidade é bem melhor e a tecnologia avançou de forma a permitir que a obtenção seja fácil e a baixo custo.

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    3. Vamos às alternativas (não coloquei todas pq é muita coisa):

      - Chicletes e balas:
      O ingrediente derivado de gordura bovina é a glicerina, que compõe a goma-base. Porém, existem no Brasil marcas que não usam glicerina animal, como as balas Trident e Buzzy, que utilizam a glicerina de origem vegetal, oriunda de óleos vegetais.

      - Gelatina:
      Veganos consomem apenas gelatinas 100% vegetais ou algais, como o ágar-ágar que é capaz de substituir a gelatina oriunda de ossos bovinos. O sagu também é uma alternativa similar, feito de fécula de mandioca.

      - Açucar e adoçante
      O uso de ossos bovinos para clarificar o açúcar é um meio ultrapassado e não é mais utilizado. As etapas de purificação como retirada de dureza (abrandamento) das caldas e descoloração são realizadas pelos processos de filtração (filtros de carvão e resinas).

      - Vinhos e cervejas
      Aternativas não-animais para clarificação incluem pedra calcária, argilas, caseína de plantas, gel de sílica, bentonita (silicato de alumínio hidratado) ou placas vegetais.
      Se vc for ao site barnivore.com poderá encontrar diversos vinhos e cervejas que não utilizam ossos de bois no processo de clarificação. Exemplos de marcas: Cervejas Budweiser, Heineken, Stella Artois, Brahma, Skol, etc. Vinhos: Salton, Miolo, Piagentini, Vinícola Campestre, Cereser, Santa Helena etc.

      - Sorvetes
      Sorbets a base de fruta, sorvetes de leite soja, sorvetes de açaí. Marcas que possuem sorvete sem leite: Tofutti, Kibon, artesanais etc

      - Leite e manteiga
      Leites vegetais: soja, castanhas, arroz, côco, aveia. Marcas: Ades, Batavo, Yoki, Cemil, etc.
      Manteiga: Margarina feita de gordura vegetal. Marcas Becel e Soya

      - Remédios
      Cápsulas de celulose

      - Fotografia
      Está cada vez mais caindo em desuso, com a adesão crescente dos cinemas ao uso de projetores digitais e à própria consolidação das câmeras digitais e celulares com câmera. Hoje quase não se usa mais câmeras analógicas, e as digitais já possuem um bom preço. E mesmo celulares básicos hoje em dia tiram fotos. As impressoras são capazes de imprimir fotos sem utilizar gelatina.

      - Sebo
      Sabonetes 100% vegetais. Marcas: Granado, Ox vegetal, Phebo, Phytoervas vegetal etc.
      Detergente e sabão: Glicerina vegetal e óleos vegetais. Marcas: Ypê, Ecobril, Biowash, Amazon, Milão
      Graxa e óleo lubrificante: Óleo mineral e sintético. Graxas e óleos não podem ser feitas de sebo. A temperatura ambiente que faz com que ela solidifique. Pergunta pra qualquer engenheiro mecânico. Ele vai rir se vc vier com a informação que o mocotó é usado para produzir óleo de máquina.
      Sapatos sintéticos não precisam de graxa. Mesmo se precisassem há graxas sem lanolina.
      Velas de parafina e de soja não contém sebo. Na época da vovó, talvez.
      Pneus podem conter ácido esteárico. A Michelin por exemplo usa ácido esteárico de origem vegetal. É só pergunta pros SACs da Goodyear ou Pirelli.

      - Shampoos e condicionadores:
      Há alternativas veganas muito conhecidas. Veja o meu post sobre cabelos com uma infinidade de produtos veganos.

      - Misturas para bolo:
      Há opções sem ingredientes de origem animal, como as misturas para bolo da Fleischmann, DaBarra e Regina.

      - Escovas e pincéis/ brochas de pintura
      Cerdas sintéticas de nylon amplamente usadas e fáceis de encontrar pra comprar. Vassouras de pêlos sintéticos e piaçava.

      - Filtros
      Não são feitos com pelos de animais há muito tempo.

      - Cosméticos
      Meu blog tá aí pra mostrar diversas alternativas de cosméticos sem nada de origem animal.

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    4. - Bílis para fermentação
      A legislação brasileira proíbe uso de ingredientes de origem animal na fabricação de cervejas.

      - Remédios:
      É evidente que nem todo remédio usa derivados do cérebro bovino. Além do mais, em situações mais sérias, os remédios são exceção no boicote vegano, uma vez que seu não uso pode acarretar em sofrimento e até morte. O modo de vida vegano não exclui a possibilidade de doenças, mas, quando bem planejado, diminui a probabilidade de ocorrência de diversas doenças, sendo um fator positivo de prevenção.

      - Tintas (e tinturas):
      O ingrediente das tintas e tinturas que pode conter derivado sanguíneo é o fixador, mas existem fixadores de origem vegetal, como a resina acrílica, que é usada por marcas como a Suvinil e Acrilex. E no caso das tinturas, em especial no caso daquelas de cabelo, há alternativas como Phytocolor, Surya etc.

      - Adesivos:
      Conforme as páginas que falam de produtos de origem animal, como o blog da Superinteressante, os adesivos em questão são colas, e não, como passa pela imaginação do leitor da imagem, figurinhas colantes e etiquetas. Há colas sintéticas que atendem a indústrias que usam esse tipo de substância adesiva e também ao consumidor final. Assim, embora seja necessário recorrer aos SACs sobre se cada pasta adesiva é ou não sintética, não são todas as empresas que usam derivados de origem animal.

      - Explosivos:
      Esta categoria de produtos virtualmente não é utilizada por consumidores comuns. Geralmente apenas empresas e o governo são interessados em utilizar explosivos. E mesmo assim é um único explosivo específico que utiliza derivado de glicerina animal: a nitroglicerina, ingrediente principal da dinamite. Pólvora, TNT e C4 não contam com ingredientes de origem animal.

      - Fogos de artifício:
      Ah, não! Fogos de artifício não são veganos? Agora fudeu. Tá provado, veganismo é inviável. Sem foguete estourado eu não vivo. Desce uma sauchicha aí. Mas falando sério, pode conter ácido esteárico, que pode ser de origem animal ou vegetal, mas veganos tendem hoje a não usá-los mais, visto que vem se expandindo a conscientização em torno das consequências do seu uso para pássaros e animais domésticos – cães têm muito medo de fogos, e podem se desesperar a ponto de fugir de casa ou mesmo sofrer ataque cardíaco, e pássaros podem ser mortos na explosão aérea dos fogos.

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    5. Parabéns, Eliana Cristina. Agradeço toda essa informação.

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    6. Obrigada, Yoly! Fico feliz que tenha sido útil!

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  5. Eliana,
    Ades e Kibon são da Unilever e a empresa é uma das que mais testam em animais!

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    1. Isabel,
      Eu sei que a Unilever faz testes em animais. Mas a razão de eu citar as marcas Ades e Kibon foi mostrar alternativas vegetais.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Eliana, de novo!
    Muitas empresas usam produtos sintéticos mas estão pouco se importando com "amigos". O melhor exemplo é a Melissa. Pertence a Grupo GRENDENE, cujos irmãos gêmeos são sócios também no negócio de GADO PARA ABATE, com fazendas enormes no Nordeste e Centrooeste do país. Duvida? Tá aqui: http://www.neloregrendene.com.br/ e aqui
    http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,EMI47417-9531,00-O+REINO+GRANDENE.html
    Então, de forma ou outra, quem compra melissa alimenta a ganância e a crueldade dessa gente.
    Até a Naturezza pertence ao grupo Via Uno! O que mais posso dizer? Procure caso fique em dúvida.
    Espero que não se sinta ofendida com os posts, mas me sinto na obrigação de espalhar a verdade.
    Até.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Interessante saber que a Melissa pertence a um pecuarista. Não sabia disso e certamente vários leitores do blog também não. Deixarei no post a indicação de que a Melissa pertence a um pecuarista.
      No entanto, a minha postura difere da de alguns veganos. Eu não vejo problema em usar um produto vegano de uma empresa não vegana. Fazemos isso o tempo todo. Quando vc compra pão, a padaria não é vegana (vende presunto, pão com ovo, queijo, leite, salame, etc). A mesma situação ocorre no supermercado ou no sacolão. Ao fazer compras em um supermercado que vende carne e outros produtos animais, damos nosso dinheiro pra quem lucra com a venda desses produtos. Mesmo que empresa seja vegana, provavelmente vários funcionários, ou o dono, não serão. Não há como impedir que o seu dinheiro não caia nas mãos de pessoas não-veganas, infelizmente. Por isso o meu foco é em produtos veganos, sem me preocupar tanto se a empresa (ou membros) é 100% vegana. Infelizmente ainda não temos opções veganas suficientes para comprar somente de estabelecimentos veganos.

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    3. Penso igual, Eliana Cristina.

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  8. Oi, tudo bem?
    Cheguei no seu blog porque estava pesquisando sobre o couro PU, e estou ainda confusa pois cada site diz uma coisa. Já li que o PU é couro ecológico (que tem origem animal) e que é sintético (que não tem). Você poderia me indicar alguma de suas fontes para escrever esse post, pois ainda estou confusa se PU é ou não um couro "cruelty free".
    Obrigada

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    1. Oi Nicole,

      PU significa Poliuretano (Polyurethane em inglês), um polímero (plástico) derivado de petróleo. Sou engenheira de materiais e qualquer site ou livro sobre ciência dos materiais que você procurar vai dizer isso. Portanto quando o produto possuir 100% PU na composição não possui nada de origem animal. A vantagem desse tipo de material é que ele é muito parecido com o couro de origem animal e tem ótima durabilidade.

      Como disse no post, alguns usam a definição errada de couro ecológico, por isso o ideal é identificar qual a composição do produto que diz ser de couro ecológico. Se a composição for: 100% PU, quer dizer que não possui couro animal. Não confie quando dizem couro ecológico, pergunte ou verifique a composição.

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  9. Eh o tipo de post que juntamente com os comentários deve ser copiado e guardado. Obrigada !!

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    1. Olá Eliana, gostei muito das informações que você publicou ... Sou vegetariana desde criança e caio sempre no mesmo dilema: não como carne, ok ! mas e todo o resto que vem dos animais ? Como é difícil, não ? Temos que continuar a nossa caminhada e mostrar para as pessoas que é possível vivermos sim, sem sacrificar os nossos amigos animais.

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    2. Olá Érika! Fico feliz que tenha gostado!
      Que legal que é vegetariana desde a infância!
      Acho que o difícil é só no início, até nos adaptarmos. Depois que a gente acostuma e sabe bem o que comprar, fica mais fácil.
      Beijos

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  10. Eu amei esse texto, Eliana! Ate porque, eu AMO roupas de couro (sintético, claro), mas eu ia morrer sem saber que o ecológico era um couro proveniente do animal também.
    Eu acreditava que fosse um couro sintético só que mais favorável ao meio ambiente.

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    1. Obrigada Vany!
      Sim, eu também gosto das calças de "couro" e bolsas, botas, sapatos! Ainda bem que as alternativas imitam perfeitamente!
      Alguns fabricantes usam a expressão "couro ecológico" de forma errada. Alguns couros ecológicos podem ser sintéticos ou naturais. Aí o jeito é entrar em contato com a empresa e questionar. Geralmente a etiqueta vem "100% PU" e aí vc já pode saber que é sintético. O couro ecológico de vaca é bem mais caro também.

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  11. tô sofrendo pra achar coturnos em couro sintético kkkk (coturnos do meu estilo, mais dark, metal, agressivo, etc, não esses considerados ''normais'')
    mandei email pra vilela boots e pra black frost pra ver se essas marcas fabricam sem ser com couro animal. tô torcendo aqui

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    1. Olá Gislaine!

      Se vc puder comprar fora, existem algumas opções de coturnos em couro sintético como os da T.U.K e da Demonia. Eu já comprei uma bota vegana da Tuk maravilhosa no ebay. Também costumo comprar da marca Iron Fist, não sei se conhece.

      http://www.tukshoes.com/search?Q=vegan+boots&As=false&Cid=0&Isc=false&Pf=&Pt=&Sid=false

      http://pleaserusa.com/regular.asp?div=2_DEMONIA&dpt=90_VEGAN&ctg=1_WOMEN&WebFormat=12&PW=150&PH=150

      Aqui no Brasil não conheço uma marca nacional com coturnos em couro sintético. :/ Depois me fala se existe alguma bota vegana da Black Frost? Torcendo também!

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  12. tô sofrendo pra achar coturnos em couro sintético (do meu estilo agressivo, não os considerados normais kkkk) mandei email pra vilela boots e pra black frost pra ver se personalizam seus produtos pois todos são com couro animal :( .
    tô torcendo aqui .

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  13. Olá!

    Adorei o post.
    Estava procurando marcas de bolsas que não utilizem couro animal e essa matérias caiu como uma luva.
    Valeu pela dica =)

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    1. Olá Heloísa!

      Bom saber que o post foi útil! :D

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  14. Amei o post. MuitO útil e esclarecedor.

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  15. olá.
    a olympikus é cruelty-free?
    vc poderia me dizer marcas de sandalias cruelty-free?
    obs: que essencialmente não testem em animais

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    Respostas
    1. Olá,
      Segundo o SAC (http://www.olympikus.com.br/site/#/contato/sac), todos os tênis de corrida são feitos em material sintético. Não usam couro animal.
      Desconheço marcas de tênis e sapatos que testem em animais.

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  16. Olá, pessoal, vocês têm alguma informação sobre tintas de impressoras?

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  17. Oii, amei..
    Tirou minha dúvida antes de comprar uma bota!
    Bjs

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  18. Oii, amei..
    Tirou minha dúvida antes de comprar uma bota, obrigada!
    Bjs

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